Tarifas derrubam confiança da indústria exportadora; reação de Lula é vista como erro

CNI alerta que exportadores perderam otimismo após tarifaço, enquanto governo fala em retaliação mas evita ação imediata

A confiança da indústria exportadora brasileira entrou em queda livre desde a imposição das tarifas de 50% anunciadas por Donald Trump contra produtos nacionais. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados nesta segunda-feira (1º), mostram que o índice de confiança do setor caiu de 50,2 pontos em junho para 45,6 em agosto — abaixo da linha de confiança, que é de 50.

Segundo a CNI, a piora tem relação direta com a medida americana, em vigor desde 6 de agosto. O recuo, de 4,6 pontos em apenas dois meses, representa uma guinada do otimismo ao pessimismo, reforçada também pela queda no Índice de Expectativas, que passou de 52,2 para 47,2 no mesmo período.

Com juros altos sufocando o consumo interno, os exportadores eram até então a válvula de escape da indústria brasileira. Agora, mesmo eles estão sem horizonte. O tarifaço atinge mais da metade das exportações brasileiras, apesar das 700 exceções anunciadas pelos EUA.

No Brasil, o presidente Lula (PT) autorizou o Itamaraty a acionar a Camex para iniciar consultas baseadas na chamada “Lei da Reciprocidade Econômica”, que prevê medidas contra barreiras impostas por outros países. Mas a própria CNI freou a ideia de retaliação imediata, pedindo “cautela e discussões técnicas”.

O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que a prioridade é manter diálogo com Washington, e já anunciou que uma comitiva com mais de 100 líderes industriais desembarcará nos EUA na próxima semana. Enquanto isso, cresce a percepção no mercado de que o Brasil entrou fragilizado no embate — sem estratégia clara para conter os impactos da guinada protecionista americana.

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