Nova teoria propõe explicação para divergências na taxa de expansão do Universo
Cientistas da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, apresentaram uma nova hipótese durante a Reunião Nacional de Astronomia de 2025: a Terra estaria localizada dentro de uma gigantesca região menos densa do que o restante do Universo. A chamada “bolha cósmica” teria densidade cerca de 20% inferior à média universal.
A teoria busca solucionar a chamada “tensão de Hubble”, discrepância entre duas medições da velocidade de expansão do cosmos. Enquanto observações com galáxias próximas sugerem uma expansão acelerada, dados baseados na radiação cósmica de fundo indicam um ritmo mais lento.
Segundo o astrônomo Indranil Banik, autor do estudo, esse novo modelo com um vazio local seria milhões de vezes mais compatível com os dados atuais do que a explicação tradicional baseada no satélite Planck. A localização da Terra nessa bolha alteraria a percepção da luz e dos movimentos de outras galáxias.
A pesquisa utilizou dados conhecidos como oscilações acústicas de bárions (BAOs), que são ecos sonoros do Big Bang. Essas oscilações servem como marcadores da expansão do cosmos. Ao comparar esses dados com o desvio para o vermelho da luz emitida por galáxias, os cientistas identificaram distorções consistentes com a existência de um vazio ao redor da Via Láctea.
Se confirmada, a teoria pode afetar o entendimento atual sobre a idade, a estrutura e a origem do Universo. A estimativa atual da idade do Universo, de 13,8 bilhões de anos, poderia ser revista, uma vez que a presença do vazio influencia nas medições da expansão.
O próximo passo dos pesquisadores será testar a hipótese com outros métodos, como os cronômetros cósmicos — galáxias antigas que não formam mais estrelas. Se os dados continuarem a corroborar a teoria, cientistas poderão ser obrigados a reavaliar as bases da cosmologia moderna.






