No Conclave, não é necessário um número mínimo de bispos. A eleição do novo Papa é feita pelos cardeais com menos de 80 anos, que compõem o Colégio de Cardeais. Para ser eleito, o candidato precisa obter dois terços dos votos dos cardeais presentes.
Caso o escrutínio não obtenha 2/3 dos votos, nova eleição é feita ate que um cardeal obtenha a quantidade de votos exigida, para eleger o novo Líder da Igreja Católica Apostólica Romana.
Quando um Papa é eleito, duas perguntas surgem imediatamente no coração dos fiéis e curiosos:
Quem será o novo líder da Igreja?
E — talvez a mais intrigante — qual nome ele vai escolher?
Será que teremos um Francisco II? Bento XVII? João Paulo III? Ou quem sabe, um nome totalmente inédito que entrará para a história?
O que poucos sabem é que a escolha de um nome papal não é uma obrigação… é uma tradição. Uma tradição cheia de histórias, surpresas e significados escondidos. E tudo começa lá atrás, nos primeiros séculos da Igreja.
Um Deus Pagão no Trono de Pedro?
Nos primeiros 500 anos do cristianismo, os papas simplesmente usavam seus nomes de batismo. E é aí que surgem nomes como Dionísio, Caio, Simplício, Dono… Mas tudo mudou com a eleição de um homem chamado… Mercúrio.
Sim, o mesmo nome do deus mensageiro da mitologia romana! Seria estranho demais para um representante de Cristo, não é? Mercúrio sabia disso — e decidiu ser o primeiro papa a adotar um nome diferente: João II. Um marco.
A partir daí, a tradição de mudar de nome foi sendo adotada aos poucos. Mas demorou séculos até se firmar de verdade.
A Revolução dos Nomes
Entre idas e vindas, só a partir do século X é que a troca de nomes começou a se tornar uma regra não escrita. Especialmente depois do Papa João XIV, que recusou usar seu nome de batismo — Pedro — por reverência ao primeiro papa, São Pedro.
Aliás, até hoje nenhum papa ousou adotar o nome Pedro II. Não é proibido, mas é considerado ousado demais. Seria como dizer: “Sou o sucessor direto de Pedro, no mesmo nível que ele.” Um gesto que beira a arrogância. Por isso, ninguém arrisca.
Por Que Tantos “Joãos”?
“João” é, disparado, o nome mais popular entre os papas: 21 no total! Isso sem contar os dois antipapas que também usaram o nome. Mas… cadê o João XX?
Ele simplesmente não existe. Pulado por um erro de contagem histórica, entre o João XIX e o João XXI. Coisas que só a história da Igreja explica.
E por que tantos papas escolhem esse nome? O próprio João XXIII deu a dica: ele queria homenagear João Batista, o profeta, e João Evangelista, o discípulo amado de Jesus. Um nome que carrega força, santidade e tradição.
O Caso Curioso de Alguns Nomes Esquecidos
Se João reina absoluto, outros nomes foram usados só uma vez — e nunca mais. Já ouviu falar do Papa Lando? Ou do Papa Hilário? E o Papa Simplício?
Sim, esses nomes realmente existiram. E não voltaram. Talvez por falta de “peso”, talvez por não terem deixado um legado forte… ou talvez porque, convenhamos, alguns nomes não combinam mais com a gravidade do cargo.
Mas curiosamente, nenhum nome está proibido. Oficialmente, qualquer nome é permitido. Até mesmo Judas — embora seja impensável por razões óbvias.
João Paulo I e a Inovação do Século XX
Em 1978, João Paulo I quebrou padrões ao combinar os nomes de João XXIII e Paulo VI, dois grandes reformadores do Concílio Vaticano II. Foi a primeira fusão criativa da história papal.
Mas foi Francisco, eleito em 2013, que realmente quebrou a tradição: ele escolheu um nome totalmente inédito, inspirado em São Francisco de Assis, símbolo de humildade e amor aos pobres. Um gesto cheio de intenção e profundidade.
E os evangelistas Lucas e Mateus?
Nunca tivemos um Papa Lucas. Nem um Papa Mateus. E sabe por quê? Porque a escolha do nome é quase sempre uma homenagem a um antecessor ou um santo ligado ao papado. Como nenhum dos dois teve esse papel histórico direto, nunca foram escolhidos. Ainda.
E o próximo Papa…?
Depois de tudo isso, só resta uma pergunta:
Qual será o nome do próximo Papa?






