Governo recua após ataque de Hugo Motta

Planalto tenta conter desgaste e diz que combate privilégios, não o Congresso

O governo federal tenta desarmar o conflito com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após a reação do deputado à campanha publicitária do Planalto que atribui ao Congresso responsabilidade por entraves à justiça tributária. O Planalto agora adota o discurso de que o foco é enfrentar privilégios e desigualdades, e não confrontar o Legislativo.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Motta afirmou que a Câmara “não fará o serviço que o PT ou o próprio governo espera” e rejeitou o papel de “vilão”. A resposta ocorreu depois de o governo veicular peças de comunicação, incluindo vídeo produzido por inteligência artificial, que sugerem que o Congresso atua em favor dos mais ricos ao derrubar medidas como o aumento do IOF.

A propaganda causou reação imediata. Deputados do Centrão ironizaram a campanha nas redes sociais e acusaram o governo de mentir e manipular a opinião pública. O estopim da crise foi a derrubada do decreto presidencial que elevava o IOF, votada por ampla maioria: 383 votos contra o governo e apenas 98 a favor.

O Planalto tenta agora isolar o episódio e evitar novo desgaste. Segundo interlocutores, a ordem é reduzir o tom e evitar retaliações. A prioridade da equipe de articulação política é reconstruir o diálogo com a base e manter o discurso de defesa dos mais pobres.

A crise expôs mais uma vez a fragilidade da base do governo na Câmara. Em menos de uma semana, Lula sofreu duas derrotas seguidas em votações com impacto direto na arrecadação e no financiamento de programas sociais. A oposição e parte do centrão pressionam por cortes de gastos e rejeitam qualquer aumento de tributo.

A avaliação interna no governo é que, sem recompor apoio no Congresso, a agenda econômica fica travada. A cúpula do PT, porém, insiste em manter a pauta de justiça social no debate público, mesmo diante da resistência do Legislativo.

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