EUA sinalizam novas sanções contra o Brasil após condenação de Bolsonaro
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou nesta segunda-feira (15) que os Estados Unidos podem adotar novas medidas contra o Brasil em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão.
Em visita a Israel, Rubio afirmou que há um rompimento do Estado de Direito no Brasil e acusou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de atuarem de forma ativista. Ele disse ainda que as ações de alguns magistrados chegaram a afetar cidadãos e empresas americanas.
“Haverá uma resposta dos EUA a isso [à condenação], e é sobre isso que teremos alguns anúncios na próxima semana ou mais sobre quais passos adicionais pretendemos tomar”, afirmou Rubio.
A fala reforça a escalada de tensões entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde agosto, Washington tem adotado medidas contra Brasília, incluindo a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e a revogação de vistos de ministros do STF. O ministro Alexandre de Moraes foi alvo da Lei Magnitsky, que restringe acesso a serviços financeiros nos EUA.
O Itamaraty reagiu às declarações de Rubio, afirmando que ameaças não intimidarão as instituições brasileiras. O órgão destacou que o julgamento de Bolsonaro e de outros réus ocorreu com respeito ao direito de defesa e dentro da independência assegurada pela Constituição.
Na semana passada, Trump também criticou a decisão do STF e disse que a condenação de Bolsonaro lembra o processo que ele próprio enfrentou após os tumultos de 6 de janeiro de 2021, em Washington.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, no inquérito que investiga suposta trama golpista e atuação de aliados do ex-presidente para pressionar instituições brasileiras.






