Nos últimos dias, o Governo do Distrito Federal resolveu mudar de cara. Literalmente.
Durante quase oito anos nos acostumamos a ver aquele ipêzinho amarelo estampado em tudo: placas, outdoors, folders, redes sociais, até no fundo das lives. Era a marca registrada do governo Ibaneis Rocha. Amarelo ibaneis, como se diz.
Mal Ibaneis saiu e deixou Celina no lugar, o ipê amarelo já começou a encolher. No dia seguinte, o bichinho aparecia minúsculo no canto das peças, quase pedindo desculpas, enquanto em letras garrafais brilhava o novo slogan: “GDF QUE FEZ”.
Virou piada – GDF que fez o quê, exatamente?
Fez o rombo de quatro a cinco bilhões? Fez a lambança bilionária no BRB? Fez a saúde entrar em colapso? Fez dezenas de obras paradas virando monumento à incompetência? Fez o orçamento explodir de tanta despesa sem lastro?
A piada correu solta. E com razão.
Menos de um mês depois, a comunicação do GDF, claramente em pânico, resolveu “pivotar” de novo — como dizem os marqueteiros quando o navio já está afundando e alguém grita “nova direção!”. E dessa vez se superaram: o ipêzinho amarelo virou roxo.
Roxo.
Sério?
Agora o símbolo do governo está roxo. Roxo de vergonha? Roxo de rombo? Ou roxo porque o amarelo já estava queimado demais e precisava de uma cor que disfarçasse o desastre?
Olha, mudar a identidade visual para tentar se dissociar simbolicamente de Ibaneis é uma das tentativas mais ingênuas — ou cínicas — que se viu por aqui ultimamente. Como se trocar a cor do logo fosse suficiente para apagar sete anos e meio de gestão compartilhada. Como se o povo fosse burro a ponto de achar que um ipê roxo significa “governo novo”.
Não é novo, Celina. É o mesmo governo, com a mesma cara — só que agora pintada de outra cor. Porque a cara real desse governo sempre foi dupla: a de Ibaneis e a sua. Vocês dois construíram isso juntos. O rombo, a bagunça, os escândalos, as contas estouradas. Tudo junto e misturado.
Achar que mudar de amarelo para roxo vai fazer o eleitor esquecer quem estava no comando enquanto a máquina desandava é tratar a inteligência do brasiliense com desdém. Ou, pior, revelar um desespero tão grande que nem conseguem disfarçar o ato falho.
Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando um governo afundado em crise precisa trocar a cor do logo como quem troca de roupa para fingir que é outra pessoa, não é sinal de renovação. É sinal de quem perdeu completamente o contato com a realidade — e ainda acha que o povo tem memória de peixe dourado e visão daltônica.
O problema não é a cor do ipê, Celina. É a bagunça que ele representa. E essa, infelizmente, não muda com Photoshop.







