Vieira e Rubio retomam diálogo, mas isolam tensões políticas entre Brasil e EUA

Negociações sobre tarifas e sanções voltam ao nível técnico; encontro entre Lula e Trump é previsto para as próximas semanas

A relação entre Brasil e Estados Unidos entrou em uma nova fase após a reunião desta quinta-feira (16), em Washington, entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Os dois definiram que as questões políticas entre os países passarão a ser tratadas diretamente entre eles, enquanto a pauta comercial, marcada por tarifas e sanções, voltará ao nível técnico, sob condução do USTR (Representante Comercial dos EUA).

O encontro, realizado na Casa Branca, foi considerado “muito produtivo” por ambos os lados e marcou a retomada do diálogo bilateral após meses de tensão. As restrições econômicas impostas pelos EUA desde julho — que elevaram tarifas sobre produtos brasileiros em até 50% — serão reavaliadas em nova rodada de conversas, ainda sem data definida.

Diplomatas brasileiros classificaram como avanço o fato de Washington aceitar isolar a negociação econômica das disputas ideológicas, um pedido antigo do Itamaraty. Segundo a nota conjunta divulgada após o encontro, Vieira e Rubio “mantiveram conversas muito positivas sobre comércio e temas bilaterais em andamento” e instruíram suas equipes a preparar uma reunião entre Lula e Donald Trump “na primeira oportunidade possível”.

O gesto é interpretado em Brasília como um sinal de mudança de postura da Casa Branca, que agora busca afastar o discurso bolsonarista e reconstruir a cooperação com o governo Lula. Fontes diplomáticas afirmam que a nova administração Trump “virou a chave” nas relações com o Brasil.

Na parte política da conversa, mantida em sigilo, os EUA manifestaram interesse em temas como Venezuela, China e Brics, sem menções a Jair Bolsonaro — condenado pelo STF a 27 anos de prisão por tentativa de golpe. Já no segundo momento, de 45 minutos, participaram a embaixadora Maria Luiza Viotti, Maurício Lyrio (Meio Ambiente e Energia) e Philip Gough (Assuntos Econômicos e Financeiros). Pelos EUA, além de Rubio, esteve presente o representante comercial Jamieson Greer.

O Itamaraty destacou que o diálogo abriu caminho também para negociações sobre minerais críticos, área de interesse dos norte-americanos. O tema será aprofundado em reunião entre o ministro Alexandre Silveira e o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, durante o encontro do G7 no Canadá, no fim do mês.

Vieira afirmou que as conversas ocorreram “em um clima excelente de descontração”, ecoando a “boa química” entre Lula e Trump desde a breve interação na Assembleia Geral da ONU, em setembro. Segundo o chanceler, o encontro presencial entre os dois presidentes “deve ocorrer em breve”, possivelmente durante a próxima Cúpula da Asean, na Malásia.

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