BRB-Mater: quem é Jacques Veloso — e onde termina a “decisão técnica” e começa a política?

Imagens: divulgação

 

Ibaneis Rocha tem repetido, como um mantra, que no caso da compra do Banco Master pelo BRB apenas seguiu “pareceres técnicos”. Que não houve ingerência política. Que a decisão foi institucional.

Então é preciso fazer uma pergunta simples: quem era o diretor jurídico do BRB até esta semana?

Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.

Não um técnico desconhecido do mercado. Não um jurista recrutado por headhunter independente. Jacques Veloso foi candidato à presidência da OAB/DF com apoio direto de Ibaneis Rocha. A OAB foi o berço político do governador. Foi dali que ele construiu sua rede de influência, seu grupo, seu capital político.

E Jacques era parte desse núcleo.

Em 2018, quando disputou a presidência da OAB/DF, ele foi publicamente apoiado por Ibaneis. À época, defendia independência institucional — com o governador como “grande parceiro”. Essa é a própria declaração registrada.

Anos depois, ele se torna diretor jurídico do BRB.

E agora chegamos ao ponto central.

No caso Master, Jacques Veloso teria emitido parecer alertando sobre riscos relacionados a liquidez e índices de Basileia — pilares básicos da saúde de qualquer banco. Ao mesmo tempo, gravou vídeo defendendo a operação, afirmando que “todos os cuidados estavam sendo tomados” e que não haveria prejuízo.

O Banco Central barrou a operação.
O Banco Master foi liquidado.
A Polícia Federal investiga.
O caso está sob relatoria no STF.

E o diretor jurídico renuncia.

A pergunta inevitável é: se havia risco técnico suficiente para alertas formais, como houve segurança pública suficiente para defender a operação? Se os indicadores eram sensíveis, por que o discurso interno foi de tranquilidade absoluta?

Mais importante: quando o governador diz que apenas seguiu critérios técnicos, ele está se referindo a quem exatamente?

Porque quando o “técnico” é um aliado político histórico, oriundo do mesmo núcleo de poder que sustenta o governador desde a OAB, a linha entre técnica e política deixa de ser nítida.

Não se trata de questionar a qualificação profissional de Jacques Veloso. Trata-se de reconhecer que ele não é um ator neutro no tabuleiro político do DF. Ele é parte de um grupo.

E isso desmonta a narrativa de que o BRB estava blindado de influência política.

Um banco público não pode funcionar como extensão de alianças. Não pode operar sob lógica de confiança pessoal. Não pode tratar bilhões como se fossem aposta estratégica baseada em convicção política.

A compra do Master não foi uma operação trivial. Era uma transação de altíssimo risco, envolvendo ativos questionáveis e um banco que acabou liquidado pelo regulador.

Quando tudo isso desmorona, o diretor jurídico sai.

Mas a pergunta permanece:

Se não houve ingerência política, por que as decisões técnicas estavam nas mãos de um aliado político direto do governador?

E, principalmente:

Se isso ainda é considerado “gestão técnica”, o que exatamente seria ingerência política?

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