Federal deflagrou a Operação Compliance Zero e colocou o senador Ciro Nogueira (PP) — presidente nacional do partido da governadora Celina Leão e seu principal padrinho político — diretamente na mira.
A investigação apura o pagamento de uma suposta mesada de R$ 300 mil mensais feita por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao cacique do Progressistas. O dinheiro teria como objetivo beneficiar os interesses do grupo Vorcaro nas operações com o BRB.
Resumindo: o partido que comanda o Governo do Distrito Federal, o banco público do DF que foi usado para tentar salvar o Master, e agora o principal dirigente dessa legenda aparece recebendo mesada do mesmo banqueiro.
E Celina Leão, que jura de pés juntos que “não sabia de nada”, que “nunca teve relação com Paulo Henrique” e que está fazendo um “novo governo”?
Como fica essa história, dona Celina?
Seu padrinho político, o homem que te colocou como vice e te empurrou para o comando do GDF, é investigado por receber mesada exatamente do grupo que arruinou o BRB. O mesmo BRB que você ajudou a gerir durante sete anos e quatro meses ao lado de Ibaneis. O mesmo banco cujo rombo agora ameaça as contas do Distrito Federal.
Será mesmo possível que a governadora do DF, do partido diretamente envolvido, não soubesse absolutamente nada sobre esses repasses? Que nunca tenha ouvido uma palavra nos bastidores do PP sobre o esquema?
Ou estamos diante da maior coincidência da história recente de Brasília?
Enquanto Ciro Nogueira fica na berlinda, Celina segue posando de gestora nova, pintando logo de roxo e anunciando factoides. Mas a cada nova operação da PF, a narrativa do “não sabia de nada” fica mais frágil e mais ridícula.
Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando o presidente nacional do seu partido vira alvo de investigação por mesada do mesmo banqueiro que destruiu o banco do seu governo, dizer “zero preocupação” não é sinal de inocência. É sinal de quem ainda acha que o eleitor vai engolir mais essa.
O relógio continua correndo. E as delações de Vorcaro e Paulo Henrique ainda nem chegaram ao ponto principal.






