O ato falho de Celina sobre a delação de Paulo Henrique: nas entrelinhas a mente assume o que quer esconder

Menos de uma hora depois de Lauro Jardim, na coluna do O Globo, adiantar que o nome da governadora Celina Leão poderia aparecer na delação do ex-presidente do BRB, a assessoria dela já disparava uma nota oficial.

E que nota…

“Ao saber que seu nome pode vir à tona na delação do ex-presidente do BRB, Celina Leão disparou: ‘Nunca tive relação com o Paulo…” (Paulo, na primeira pessoa, como se dirige aos bons amigos).

Ato falho clássico.

Em vez de negar veementemente qualquer possibilidade (“Meu nome não está e não poderia estar”), ela parte do pressuposto de que pode aparecer. A mente não segura a verdade e deixa escapar pela entrelinha. O marqueteiro, afoito, apenas transcreveu o que ela falou. (E sabemos que nota dessa importância não sai sem a bênção da chefe.)

Durante meses Celina vem gastando uma fortuna em comunicação para vender a fantasia do “novo governo”. Pintou o logo do GDF de roxo (virou piada: roxo de vergonha), faz factoides diários, “choque de gestão”, “jeitinho” no SUS e posa de gestora que chegou para arrumar a bagunça que ela mesma ajudou a criar como vice durante quase sete anos e meio.

Agora, quando o nome dela surge como possível personagem da delação, a máscara cai em uma única frase.

Ela que vive repetindo “nunca soube de nada”, “não tive relação com o Paulo”, “todo mundo sabia que ele seria o primeiro a sair”. Traduzindo: ela já admite que há algo que pode vir à tona. Porque se não houvesse absolutamente nada, a nota seria curta, seca e negaria a possibilidade.

Até agora Celina usou a caneta, o orçamento público e a máquina judicial para calar jornalistas independentes do DF — processando, intimidando e tachando de “fake news” qualquer um que trouxesse fatos incômodos.

A grande dúvida que fica: ela vai ter coragem de processar o Grupo Globo por “fake news” também? Ou a Globo é grande demais para o método que ela aplica nos pequenos?

Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando a governadora precisa soltar nota às pressas e começa a frase com “ao saber que meu nome pode vir à tona”, não é sinal de inocência. É sinal de quem sabe que o tic-tac da delação está correndo e que o “novo governo” nunca passou de velha continuação com filtro roxo.

A verdade, mais cedo ou mais tarde, vem à tona. E parece que está chegando mais rápido do que o marqueteiro dela esperava.

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