Celina Leão teve que escolher: ou era fiel ou tentava se eleger.
Ela escolheu a segunda opção. Friamente. Calculadamente.
Durante sete anos e quatro meses ela esteve lá, no gabinete ao lado, participando de praticamente todas as decisões do último governo. Chamava de “nosso governo”. Posava ao lado dele. Substituiu o governador dezenas de vezes. Aprovou os gastos, os programas eleitoreiros, o caos administrativo, a explosão das contas públicas e a lambança bilionária do BRB com o Banco Master.
Quando assumiu, as bombas que ela ajudou a plantar começaram a estourar uma atrás da outra.
A única estratégia que restou foi a clássica: jogar o parceiro debaixo do ônibus e vender a narrativa da “herança maldita” que ela mesma ajudou a construir e posar de salvadora da pátria.
Mas isso não cola.
O povo não é burro. Todo mundo viu ela do lado de Ibaneis durante quase quatro anos, sorrindo, posando e repetindo “nosso governo”. Agora vem dizer que era herança maldita? Que chegou para arrumar a casa?
Traição é traição. E o brasileiro tem faro para chifre.
O que Celina não calculou foi o poder que Ibaneis e o MDB ainda têm. Ela achou que conseguiria manejar o ex-governador como marionete até a eleição. Achou errado.
O MDB já deu o recado: não vai servir de bode expiatório. O castelo de cartas começou a desabar. E o preço dessa traição calculada vai ser muito mais caro do que ela imaginava.
Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando você trai friamente quem te colocou no poder para salvar a própria pele, o eleitor não perdoa. Culturalmente, o brasileiro releva muita coisa. Traição, não.
Celina escolheu o caminho. Agora vai ter que andar até o fim dele. Sozinha.






