Dona Celina Leão resolveu anunciar a criação de um “Centro de Atenção ao Climatério”. Soa bonito, moderno e sensível. Na prática, é mais uma falácia eleitoral para tentar parecer que está fazendo algo pela saúde da mulher.
Vamos ser diretos: climatério (eufemismo politicamente correto para menopausa) é uma fase extremamente difícil para milhões de mulheres. Fogachos, alterações de humor, insônia, ansiedade, perda de massa óssea, inchaço, fadiga. É um turbilhão hormonal que exige acompanhamento sério, multidisciplinar e contínuo: ginecologista, endocrinologista, psicólogo, às vezes até fisioterapeuta.
E onde a mulher do DF vai buscar esse atendimento hoje? Na UBS do bairro, o famoso postinho da quadra. No papel interessante pela proximidade (e assim devia ser) só que a espera pela consulta com um ginecologista pode durar de 6 a 10 meses. Quando consegue, o médico pede exames que demoram mais meses para serem agendados e entregues. Depois, o retorno da consulta pode levar mais meses, nisso já se passou mais de ano – de dor, sofrimento e constrangimento.
Não sou médico, mas é de conhecimento geral o tratamento mínimo para uma mluer ter qualidade de vida nessa fase da vida: reposição hormonal!
E reposição hormonal é cara e depende de acompanhamento constante com exames e consultas médicos para avaliação e correção para se obter um resultado eficaz– o que sabemos ela não vai conseguir.
Se esse hormônio, que são específicos para cada mulher, for enquadrado como “Componente Especializado”, então se prepare: o processo para acessar a farmácia de alto custo é de uma burocracia sem fim, e se tornaram comum notícias de filas, atrasos e falta de medicamentos.
Resultado: um processo burocrático, falho e custoso para as mulheres que sem as devidas orientações não observam a melhora na qualidade de vida e muitas, desesperadas desistem do tratamento e passam toda essa fase da vida (que dura anos) sofrendo e vendo seu corpo se degradar.
É cruel, é infame.
E qual é a solução brilhante da governadora? Um centro especial, provavelmente no centro da cidade, longe da maioria das residências.
Já não em médico para atender na UBS, onde vai achar médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem para lotar no centro da cidade Dona Celina?
Isso não é política pública. É propaganda.
Em vez de resolver o caos estrutural da saúde — falta de médicos, falta de exames, filas intermináveis, desorganização total —, Celina prefere criar mais um factoide, que não vai funcionar – vai inaugurar uma salinha, com um servidor e um auxiliar de enfermagem, encher de faixas com seu ipêzinho roxo e tirar foto. Saiu dali vai ser um desespero de gente sem atendimento eficaz nenhum.
Enquanto isso, a mulher que precisa de atendimento continua esperando meses na UBS, sem reposição hormonal e sem acompanhamento – endocrinologista, exames periódicos, psicólogo, psiquiatra – só em sonho.
Celina, o sofrimento dessas mulheres não se resolve com factoide e placa nova. Se resolve melhorando de verdade a saúde do DF — que você ajudou a deixar do jeito que está.
Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando uma governadora anuncia centro especial para “climatério” enquanto as mulheres esperam um ano por uma consulta básica, não está cuidando da saúde. Está brincando com o sofrimento alheio para fazer manchete.
Mais um factoide. Mais uma promessa que não vai chegar onde realmente importa: no postinho da sua quadra.






