Brasil perdeu, acabou a Copa… voltemos à programação normal

A Copa do Mundo acabou. A seleção foi eliminada, o povo voltou ao trabalho e a cortina de fumaça logo vai se dissipar. Durante algumas semanas, os escândalos, o rombo bilionário e o colapso dos serviços públicos foram convenientemente empurrados para o fundo da memória. Foi um presente para Celina Leão e para todo o governo que ela representa. Agora, sem o álibi do futebol, a realidade volta com toda a força — e ela continua exatamente tão ruim quanto era antes.

Na saúde, o quadro é de abandono quase completo. Um homem de 49 anos morreu sentado numa cadeira de rodas na recepção da UPA do Recanto das Emas sem sequer ter passado por triagem. A justificativa oficial da presidente do IGES-DF foi dizer que ele “não estava buscando atendimento médico”, apenas abrigo e água. Como se isso tornasse a morte menos grave. Em outro hospital, um paciente precisou ter parte das nádegas amputadas depois de ficar tanto tempo deitado esperando atendimento que desenvolveu escaras graves. Enquanto isso, as filas nos postos de saúde seguem intermináveis, faltam médicos, faltam exames e faltam remédios. A governadora, em vez de atacar o problema estrutural, anuncia “centro de atenção ao climatério”, como se o sofrimento das mulheres fosse resolvido com nome fantasia e não com atendimento digno nos postos de saúde de verdade.

O transporte público também não oferece qualquer alívio. O Metrô-DF acumula relatos constantes de atrasos, falhas técnicas e superlotação, especialmente nos horários de pico. Quem depende do sistema sabe que a promessa de melhoria existe há anos, mas a experiência diária é de um serviço que opera no limite e sem perspectiva real de estabilização.

Na assistência social, os Restaurantes Comunitários — que atendem justamente a população mais vulnerável — registraram paralisações e problemas operacionais em várias unidades. Pessoas que dependem dessas refeições para sobreviver foram diretamente afetadas, enquanto o governo se limitou a abrir procedimentos administrativos e fazer comunicados.

Nas ruas, o descaso é visível. Em várias regiões administrativas, o lixo se acumula em áreas abertas, praças e equipamentos públicos estão sem manutenção, e o sentimento de abandono é generalizado. Não é só falta de recurso. É falta de prioridade. É a marca de um governo que prefere investir em propaganda e factoides do que em resolver problemas básicos de manutenção da cidade.

No BRB, nada foi resolvido. O balanço do banco ainda não apareceu, o rombo não para de crescer e o governo corre para tomar mais um empréstimo bilionário que vai comprometer as contas do Distrito Federal por muitos anos. O Banco Master, origem de toda essa lambança, segue sem entregar qualquer recurso de volta. A única coisa que avança é a dívida que a população vai ter que pagar.

Celina Leão, enquanto isso, segue em ritmo de campanha permanente. Todo dia tem uma fala, uma foto, um anúncio ou um fatoide novo. Parece mais preocupada em manter uma imagem de movimento do que em entregar resultados concretos. O rombo do BRB não some com discurso. A morte de um cidadão dentro de uma UPA não se resolve com centro temático. A falta de médico nos postos não desaparece com nota oficial. E a população do Distrito Federal continua pagando a conta — em serviços que não chegam, em infraestrutura que degrada e em uma qualidade de vida que só piora.

Resumindo – nada funciona!

Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando a Copa acaba e a cortina de fumaça se dissipa, o que sobra é o mesmo governo de sempre. Só que agora sem o álibi do futebol para disfarçar o descaso. A programação normal voltou. E ela continua tão ruim quanto era antes.

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