Celina Leão anunciou ontem (1º de junho) a transferência de quatro secretarias e do próprio gabinete para o Centro Administrativo do GDF, o Centrad, em Taguatinga. Uma obra idealizada ainda no governo Arruda, cujo objetivo sempre foi concentrar a máquina administrativa, melhorar o controle e, principalmente, acabar com o gasto bilionário de aluguéis espalhados pela cidade.
O problema é que esse mesmo Centrad passou os sete anos sendo tratado como lixo pelo governo de Ibaneis e Celina. Foi chamado de elefante branco, de megalomania, de obra desproporcional. Tanto que, em dezembro de 2025, Ibaneis chegou a anunciar a venda do imóvel por R$ 600 milhões, sem licitação pública e por um valor que, segundo especialistas, representa menos da metade do custo real da obra.
Agora, de repente, o Centrad virou solução.
Não é coincidência. É desespero.
O rombo nas contas públicas do Distrito Federal está tão grande que o governo precisa, com urgência, reduzir despesas fixas — e o aluguel de vários órgãos é uma das contas mais pesadas. Celina, que passou os últimos três anos e meio como vice-governadora ativa e depois assumiu o cargo, agora corre para ocupar um prédio que o próprio governo dela tentou vender barato há poucos meses.
O cinismo é tão grande que chega a ser trágico. O que Arruda defendia há mais de uma década — concentrar a administração para economizar — era tratado como loucura. Hoje, vira “medida de gestão responsável”.
A máquina de propaganda do GDF já deve estar preparando o pacote de matérias para vender isso como grande feito. Mas a realidade é outra: o governo que mais inchou a máquina pública e mais gastou com aluguéis nos últimos anos agora corre para o Centrad porque não tem mais dinheiro para manter o modelo antigo.
Celina não está sendo inteligente. Está sendo obrigada pela conta que ajudou a fazer explodir.
Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando um governo passa anos xingando uma obra e, de repente, corre para ocupá-la como se tivesse acabado de inventar a roda, não é gestão. É falta de opção. E o Centrad, que poderia ter sido usado há muito tempo, agora serve apenas para tentar disfarçar o tamanho do buraco que eles mesmos cavaram.
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