Levantamentos previstos para 29 e 30 de junho vão medir se o presidente Lula consolida sua liderança ou se Flávio Bolsonaro consegue interromper o ciclo de desgaste após recentes controvérsias
Duas pesquisas nacionais sobre a disputa presidencial de 2026 devem ser divulgadas na próxima semana e prometem trazer novos elementos para a análise do embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Os levantamentos da Nexus e da AtlasIntel chegam em um momento em que o cenário eleitoral começa a se definir com mais clareza, após semanas marcadas por episódios que envolveram tanto o campo governista quanto o bolsonarista. A expectativa é que os números ajudem a entender se a vantagem observada por Lula nas últimas rodadas de pesquisas se mantém ou se sofre algum tipo de alteração.
Os dois institutos utilizarão metodologias distintas. A pesquisa da Nexus, com divulgação prevista a partir da segunda-feira (29), será realizada por telefone com 2.000 entrevistados. Já a AtlasIntel, que deve ser divulgada na terça-feira (30), aplicará questionário estruturado pela internet junto a uma amostra de 5.000 eleitores. Ambas as pesquisas incluem cenários de primeiro e segundo turno e devem captar o impacto de acontecimentos recentes, como a operação da Polícia Federal envolvendo o senador Jaques Wagner e o embate público entre Michelle Bolsonaro e Flávio nas redes sociais.
Os últimos levantamentos divulgados ao longo de junho apontam para uma estabilização da liderança de Lula. O Datafolha mais recente mostrou o presidente com 47% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro no principal cenário de segundo turno, repetindo os mesmos números registrados um mês antes. No primeiro turno, Lula aparece com 41%, enquanto o senador soma 31%. Pesquisas anteriores da BTG/Nexus e da CNT/MDA também registraram vantagem para o presidente, com o primeiro levantamento apontando 49% a 43% e o segundo registrando 49,3% a 36,8% no segundo turno.
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A grande pergunta que paira sobre os próximos levantamentos é se o senador Flávio Bolsonaro conseguirá reverter o quadro de desvantagem ou se o presidente Lula vai consolidar sua posição à frente da corrida presidencial. Após um período de queda nas intenções de voto, Flávio parece ter interrompido a trajetória descendente, mas ainda não conseguiu recuperar o terreno perdido. O momento é particularmente delicado porque o senador precisa lidar simultaneamente com o desgaste provocado pelo caso do Banco Master e com os efeitos internos da crise familiar exposta publicamente por Michelle Bolsonaro, o que exige uma estratégia de comunicação precisa para evitar novos danos à sua imagem junto ao eleitorado.
Os dois institutos devem aprofundar a análise sobre temas que vêm ganhando destaque no debate político. A AtlasIntel, por exemplo, incluiu perguntas específicas sobre o embate entre Flávio e Michelle, buscando identificar qual dos dois é visto pelos eleitores como mais fiel às orientações políticas de Jair Bolsonaro. Além disso, o levantamento deve aferir o grau de conhecimento da população sobre as investigações envolvendo o senador Jaques Wagner e o possível impacto desses episódios na percepção sobre o governo e sobre a oposição. A Nexus também deve explorar a repercussão dos áudios entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, além de medir como o eleitorado associa o escândalo do Banco Master a diferentes grupos políticos.
O resultado dessas pesquisas será acompanhado com atenção por ambos os campos, pois deve servir como termômetro para as estratégias que serão adotadas nos próximos meses. Para Lula, a consolidação de uma vantagem consistente pode reforçar a narrativa de que sua reeleição é o caminho mais provável. Para Flávio Bolsonaro, os números serão importantes para avaliar se o tempo de recuperação ainda está disponível ou se o desgaste acumulado já começa a limitar suas possibilidades de crescimento. De qualquer forma, os levantamentos da próxima semana devem ajudar a desenhar com mais nitidez o quadro da disputa presidencial de 2026.
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