Missão (praticamente) impossível: Grass sobe pouco e não irá alcançar Celina

Fotos: Amanda Karolyne/Jornal de Brasília

A governadora já teria vencido no primeiro turno se mais de 26 mil eleitores não tivessem apertado 22 pensando que votavam nela. A militância do PT nas ruas de Brasília mira Lula, não o Buriti. O eleitorado de direita do DF já encaixou em Celina.

A pesquisa Real Time Big Data desta terça-feira mostra Celina Leão com 59% dos votos válidos no segundo turno contra 41% de Leandro Grass. Na rodada anterior do mesmo instituto, a margem era de 60% a 40%. Grass pode subir um ou dois pontos. Não ultrapassa.

A conta do primeiro turno já apontava o desfecho. Celina chegou a 49,93% com 825.530 votos. Mais de 26 mil eleitores apertaram o número 22 na urna acreditando que votavam nela. O volume supera com folga o que faltava para ela fechar a eleição já na primeira rodada. A confusão de número não foi detalhe. Foi o único obstáculo entre a governadora e a vitória imediata.

O que a campanha de Celina fez

Celina conduziu o processo com precisão. Desviou de fogo amigo, se desvencilhou do legado de Ibaneis Rocha e se apresentou mais ativa em poucos meses do que o antecessor em mais de sete anos de governo. O eleitorado do Distrito Federal, embalado há anos numa onda de direita, encontrou nela o nome que cabia. A rejeição a Grass permanece alta. Entre os eleitores de Celina, 90% dizem que não mudariam o voto de jeito nenhum. A base está travada.

Arruda tentou ocupar o mesmo espaço. Desmoronou em querelas internas da própria campanha e no passado que voltou a circular nos tribunais e em questionamentos públicos. O eleitorado que poderia ter oscilado já escolheu.

A militância que não mira o Buriti

A presença massiva de militantes do PT nas ruas de Brasília não tem como alvo principal o governo do Distrito Federal. O objetivo é Lula. Grass funciona como suporte logístico e visual para tentar arrancar alguns votos no segundo turno presidencial. O esforço pode produzir movimento de rua e algum corte de rede. Não altera a conta do Buriti.

A pesquisa registra 93% de voto definido. Entre os eleitores de Grass, 88% afirmam que não mudariam para Celina. A polarização local está consolidada. O que resta é mobilização residual, e ela está a serviço da disputa nacional.

O que os números fecham

Celina lidera com 59% dos válidos e 53% no total (incluindo brancos, nulos e indecisos). A margem de erro da Real Time Big Data é de dois pontos. Mesmo no limite inferior, ela permanece acima. Grass precisaria de uma transferência massiva e improvável nos últimos dias para inverter o quadro. Não há sinal disso.

A governadora chega ao segundo turno com a eleição praticamente resolvida. O número 22 do primeiro turno foi o único acaso que adiou o resultado. O restante — campanha, eleitorado e rejeição ao adversário — já está alinhado. Grass pode subir. Não supera.


Por James Licht
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