Ex-comandantes confirmam à PF pressão de Bolsonaro por Estado de Defesa

Depoimentos de Freire Gomes e Carlos Baptista Júnior implicam ex-ministros da Defesa e da Justiça em elaboração de plano golpista

O general Marco Antonio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, e o tenente-brigadeiro do ar Carlos Baptista Júnior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), prestaram depoimentos à Polícia Federal confirmando a pressão do ex-presidente Jair Bolsonaro por um golpe de Estado para manter-se no poder.

A CNN teve acesso aos depoimentos dos dois militares da reserva, nos quais detalham a apresentação de Bolsonaro sobre uma “hipótese de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e outros instrumentos jurídicos” para perpetuar seu mandato.

Além disso, Freire Gomes e Baptista Júnior implicaram diretamente o ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, e o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, na concepção desse plano golpista.

Nogueira teria sido apontado como articulador da minuta golpista, enquanto Torres atuava como um “tradutor jurídico” para os comandantes militares.

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Os ex-comandantes afirmaram que rejeitaram diversas vezes a proposta de golpe, enquanto o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, teria se colocado à disposição de Bolsonaro.

As reuniões com Bolsonaro teriam ocorrido após a vitória eleitoral de Lula. Segundo os depoimentos, em 7 de dezembro de 2022, os militares foram convocados ao Palácio da Alvorada pelo então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, onde Filipe Martins, assessor de Bolsonaro, apresentou um documento que embasava juridicamente o golpe.

Os depoimentos também relatam uma reunião posterior no Ministério da Defesa, onde Nogueira apresentou uma nova versão do documento, com ajustes.

Freire Gomes e Baptista Júnior afirmaram ter sido enfáticos ao rejeitar qualquer ruptura institucional e destacaram o papel de Anderson Torres, que atuava como tradutor jurídico nas reuniões, apontando aspectos legais que dariam suporte às medidas de GLO e estado de defesa.

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