
A aprovação apertada do PL do BRB (14×10) expôs rachas na base; a resposta veio em menos de uma hora, com exonerações simbólicas que soam mais como ameaça do que como gestão.
Na terça-feira (3), a Câmara Legislativa aprovou — por magros 14 votos a favor e 10 contra — o polêmico Projeto de Lei nº 2.175/2026, que autoriza o uso de nove imóveis públicos como garantia para empréstimo de até R$ 6,6 bilhões ao BRB, além de outras medidas para tentar tapar o rombo bilionário herdado das operações com o Banco Master. Analistas e a própria oposição alertam: o texto não garante a salvação do banco, mas abre risco real de dilapidação do patrimônio público, com ativos valiosos (lotes da Caesb, CEB, Novacap e até o abandonado Centro Administrativo em Taguatinga) podendo ser perdidos em caso de calote. O que era para ser um “socorro” urgente virou um debate acalorado, com deputados da base governista — incluindo Thiago Manzoni (PL), Rogério Morro da Cruz (PRD) e João Cardoso (Avante) — votando contra, alegando falta de documentos, transparência e garantias reais de que o dinheiro salvaria o BRB.
A reação do Palácio do Buriti não demorou: cerca de uma hora após o placar ser anunciado, saiu edição extraordinária do Diário Oficial do Distrito Federal exonerando indicados chave desses deputados “rebeldes”. Foram demitidos o secretário de Projetos Especiais Marcos Araújo Pinto Teixeira, o administrador de São Sebastião Roberto Medeiros Santos, o administrador do SIA Bruno Oliveira e o diretor-presidente do Jardim Botânico Alan Freire Barbosa da Silva. Cargos de livre nomeação? Sim. Decisão política normal? Em tese. Mas a velocidade — edição extra dedicada exclusivamente a isso — e a seletividade transformam o ato em algo bem diferente: um recado explícito e furioso.
Não é difícil ler nas entrelinhas: o gesto vai além de “ajustar a base”. É um aviso aos que ainda restam na Câmara: votem contra pautas do governo e verão aliados seus serem varridos da estrutura administrativa em questão de minutos. Ibaneis Rocha, que construiu sete anos de relação com a CLDF sobre a lógica do “medo ou dinheiro” — emendas parlamentares generosas para quem se alinha, represálias para quem discorda —, repetiu a fórmula. A desproporcionalidade da resposta (uma edição extra só para punir dois deputados) cheira a vingança pessoal, não a gestão racional. E isso tem custo: vácuos técnicos em áreas sensíveis podem gerar problemas administrativos reais, enquanto a imagem de autoritarismo se fortalece.
Esse padrão explica muita coisa no passado recente, incluindo a aprovação atropelada dos projetos que permitiram a compra fraudulenta de carteiras podres do Master pelo BRB. Uma Câmara submissa — parte por verbas, parte por temor de perseguição — engoliu narrativas sem questionar. Agora, com rachas visíveis na base e placares apertados, o governador opta pela intimidação em vez da negociação. Política de convergência de interesses? Não. Isso é intimidação institucionalizada, onde o debate democrático vira subserviência forçada.
No fundo, o episódio revela o quanto o modelo de governança de Ibaneis depende de coerção para sobreviver. Se a base se desfaz por consciência eleitoral ou técnica, a resposta não é diálogo — é punição rápida e pública. Enquanto o BRB continua sangrando e o patrimônio público em risco, o Buriti prefere mandar recados de medo. Não é liderança; é controle. E, em ano eleitoral, isso pode custar caro — não só em votos, mas na credibilidade do que resta de democracia local.
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