Presidente do Senado reforça blindagem ao STF e ignora 29 pedidos da oposição; Congresso vive crise após prisão de Bolsonaro
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que não dará andamento a nenhum dos pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em declaração direta, ele foi categórico: “Enquanto eu estiver aqui, a resposta é NÃO”, frustrando a ofensiva da oposição, especialmente da base bolsonarista, que tenta emplacar ao menos 29 pedidos contra o magistrado.
A declaração reforça a blindagem política e institucional ao STF em meio à escalada de tensões entre os Poderes. O episódio mais recente foi a ordem de prisão domiciliar contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada por Moraes. O gesto de Alcolumbre indica que o Senado, sob sua presidência, não pretende abrir espaço para confrontos com a Corte Suprema.
A reação da oposição foi imediata. Deputados e senadores ocuparam as mesas dos plenários com as bocas tampadas por adesivos, em protesto contra o que classificam como censura judicial. Anunciaram ainda a obstrução dos trabalhos legislativos até que sejam pautadas a anistia aos condenados de 8 de janeiro e o impeachment de Moraes.
Diante da paralisação, Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocaram uma reunião emergencial com líderes partidários. O encontro, inicialmente previsto para quinta-feira (7), foi antecipado para esta quarta-feira (6), com o objetivo de restabelecer o funcionamento do Congresso.
Em nota, Alcolumbre afirmou que a ocupação do Congresso configura “exercício arbitrário das próprias razões, algo inusitado e alheio aos princípios democráticos”. Ele fez um apelo à “serenidade e ao espírito de cooperação”. Hugo Motta, mesmo fora de Brasília, cancelou as sessões do plenário da Câmara e disse que a pauta será definida com base no diálogo.
Enquanto os trabalhos seguem paralisados, aliados de Bolsonaro solicitam autorização para visitá-lo em sua residência. No ambiente político, cresce a tensão entre os Poderes, em meio à percepção de que o STF concentra poderes excessivos, sem mecanismos efetivos de controle por parte do Legislativo.






