E agora, Celina? Quem vai ficar inelegível?

Caso da Operação Draco volta à mesa e escancara o jogo duplo da política e da mídia no DF

Brasília segue seu roteiro curioso: escândalo antigo voltando à pauta, eleição chegando… e todo mundo fingindo que nada está acontecendo.

A Operação Draco, lá de 2016, não desapareceu. Aquela mesma investigação sobre emendas da saúde que viravam propina, aquela mesma delação que veio à tona com gravações dentro da própria Câmara Legislativa. Pois é — o processo andou. Andou devagar, como tudo em Brasília, mas andou.

E agora está pronto para julgamento.

Entre os nomes, Celina Leão — hoje vice-governadora, governadora em exercício e pré-candidata ao Buriti. Não é detalhe. É o centro do tabuleiro.

Se vier condenação por improbidade, o efeito é automático: ficha limpa, inelegibilidade por 8 anos e fim de jogo eleitoral. Simples assim. Sem malabarismo jurídico. Sem precisar reinventar a lei.

E é aqui que a coisa fica interessante.

Porque, enquanto isso, o Distrito Federal assiste a um esforço coordenado — digno de manual — para repetir uma ideia até que ela vire verdade: “Arruda está inelegível”.

Está?

Vamos com calma.

Pela legislação em vigor — aprovada, sancionada e aplicada — José Roberto Arruda não depende de nada para ser elegível, já cumpriu seu prazo. Está dentro das regras atuais. Ponto.

Agora, para torná-lo inelegível… aí sim o esforço é grande: precisa de Supremo Tribunal Federal, precisa de uma ADI, precisa mudar interpretação, mexer em prazo, reconfigurar a aplicação da Lei da Ficha Limpa.

Ou seja: precisa mudar o jogo.

Já no caso de Celina Leão?

Não precisa mudar absolutamente nada.

A lei já está aí. O processo já está pronto. As provas já foram produzidas. Falta só o julgamento.

Simples assim.

Mas liga a TV, abre os portais, acompanha a cobertura política no DF.

Arruda some. Quando aparece, vem carimbado: “inelegível”.

Celina? Silêncio elegante. Quando muito, uma nota técnica, fria, perdida no meio do noticiário.

Coincidência?

Ou é só mais um caso de uso bem direcionado da máquina — política e midiática — para moldar a narrativa?

Porque não dá pra ignorar o óbvio: existe dinheiro público irrigando comunicação, existe alinhamento de discurso e existe, sim, uma tentativa clara de escolher quem pode e quem não pode existir no debate eleitoral.

E isso já nem é mais sutil.

A pergunta, no fim, é bem mais simples do que parece:

Quem realmente corre risco hoje?

Quem depende de uma decisão futura, complexa e incerta para ficar inelegível?

Ou quem depende apenas de um julgamento que já está batendo na porta?

Brasília pode até fingir que não vê.

Mas decisão judicial não depende de narrativa.

E quando vier, não vem em forma de manchete amiga.

Vem em forma de sentença.

E aí não tem edição que resolva.

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