No Dia dos Namorados, 12 de junho, a Embaixada da França no Brasil compartilhou uma imagem do presidente Lula abraçado ao presidente francês Emmanuel Macron, com a Torre Eiffel ao fundo. A foto veio acompanhada da mensagem: “Como se diz em francês: « L’amour n’a pas de frontières. » (O amor não tem fronteiras). Neste Dia dos Namorados, celebramos não só o amor, mas também a amizade duradoura entre nossos dois países. Parceria, confiança, trocas culturais e muito carinho: essa relação só cresce com o tempo.”
Apesar do tom festivo e diplomático, a postagem provocou reações que vão além da simples celebração. A escolha da data e o contexto despertam questionamentos: seria essa uma ação de diplomacia pública que promove aproximação entre Brasil e França, ou uma tentativa deslocada de “humanizar” relações políticas tensas? O uso do Dia dos Namorados, um momento tradicionalmente pessoal e íntimo, para reforçar laços internacionais, soa para alguns como oportunismo ou até como uma provocação.
Qual o real benefício para a Embaixada da França ou para o Subministério de Relações Exteriores brasileiro ao transformar uma data de afeto pessoal em palco para simbolismos diplomáticos? Para muitos, a mensagem, embora inofensiva, pode parecer mais um gesto patético de redes sociais, que mistura política e sentimentos para tentar criar empatia onde as divergências reais persistem.
A imagem e a mensagem levantam uma reflexão: até que ponto a diplomacia digital deve investir em símbolos afetivos? E qual é o limite entre uma ação legítima de aproximação cultural e uma encenação que pode ser vista como deslocada, especialmente em tempos de desafios políticos internos e externos?
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