Europa tenta salvar diálogo com Irã em meio a risco de ataque dos EUA

Ministros europeus se reúnem com chanceler iraniano em Genebra para tentar reabrir negociações nucleares; Trump avalia ofensiva militar

Enquanto os Estados Unidos sob o comando de Donald Trump consideram um ataque militar direto ao Irã, os países europeus tentam puxar o freio na escalada e reabrir o caminho da diplomacia. Nesta sexta-feira (20), chanceleres do Reino Unido, França e Alemanha — o chamado grupo E3 — se reúnem com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, em Genebra, na tentativa de retomar o diálogo sobre o programa nuclear iraniano.

A iniciativa ocorre após conversas telefônicas entre os diplomatas europeus e Araqchi no início da semana, com apoio da chefe de política externa da União Europeia e do secretário de Estado americano, Marco Rubio. O encontro pessoal foi sugerido pelo próprio Irã, em um raro sinal de abertura, mesmo em meio à ofensiva militar israelense.

O cenário diplomático, no entanto, é frágil. Desde que Israel iniciou a “Operação Leão Ascendente” em 12 de junho, atacando alvos nucleares e de mísseis iranianos, as negociações entre Teerã e Washington entraram em colapso. “Os iranianos não podem sentar com os americanos, enquanto nós podemos”, disse um diplomata europeu.

Diplomatas do E3 afirmam que, embora não haja grandes expectativas para um avanço imediato, é fundamental manter canais abertos com o Irã, sobretudo para evitar que o país retome seu programa nuclear de forma irreversível após o conflito. “Não se apaga conhecimento adquirido”, lembrou um deles.

Internamente, o Irã reitera que prefere a diplomacia, mas acusa Israel de sabotar qualquer possibilidade de negociação. “A diplomacia está sob ataque”, declarou uma autoridade iraniana, que também pediu aos europeus que pressionem Tel Aviv a interromper os bombardeios.

Antes da atual escalada militar, os europeus e os EUA já haviam aprovado uma resolução da AIEA que acusa Teerã de violar suas obrigações no acordo de não proliferação nuclear. A depender do andamento das conversas em Genebra, a Europa cogita levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU até o final do verão.

Ao mesmo tempo, o governo Trump, que já autorizou planos de ataque ao Irã, segue endurecendo o tom. A dúvida agora é se a diplomacia conseguirá sobreviver tempo suficiente antes que os mísseis comecem a falar mais alto.

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