Roberto Azevêdo elogia retomada do diálogo entre Lula e Trump, mas alerta que escolha de Rubio pode indicar viés político nas tratativas comerciais
O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, avaliou que a nomeação de Marco Rubio como interlocutor das negociações entre Brasil e Estados Unidos representa o único ponto sensível na recente reaproximação entre os dois países.
Em entrevista ao programa WW, da CNN Brasil, Azevêdo considerou “positivos” os sinais do diálogo iniciado entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, mas destacou que a escolha de Rubio — atual secretário de Estado americano — pode indicar uma condução mais política do que técnica nas tratativas, especialmente em temas comerciais.
O ex-diretor lembrou que, em visitas anteriores a Washington com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi informado de que discussões com outros países eram tradicionalmente lideradas pelos Departamentos de Comércio e do Tesouro, e não pelo Departamento de Estado. “No caso do Brasil, o envolvimento direto do Departamento de Estado mostra que as negociações carregam uma dimensão política forte”, observou.
Apesar da ressalva, Azevêdo ressaltou que o telefonema entre Lula e Trump, ocorrido nesta segunda-feira (6/10), foi um avanço importante para destravar o diálogo bilateral. “Trinta minutos é melhor do que trinta segundos”, ironizou.
O tom da conversa, segundo ele, foi amistoso. Trump chegou a publicar em suas redes sociais que gostou da ligação e pretende se encontrar com Lula “em um futuro não tão distante”, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, sinalizando a retomada de um canal direto entre os governos.






