Pacote terá linhas de crédito, estímulo a compras públicas e medidas para diferentes setores afetados pelas tarifas
O governo federal deve apresentar até terça-feira (12) um plano de contingência para reduzir o impacto das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O pacote vem sendo coordenado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que cancelou compromissos em São Paulo nesta segunda-feira (11) para se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Brasília.
O encontro, marcado para as 17h, terá a participação de ministros-chave: Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Comunicação Social) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União). Antes, haverá uma reunião preparatória na Casa Civil para acertar os detalhes finais do anúncio.
Segundo integrantes da equipe econômica, o plano foi elaborado “sob medida”, prevendo ações de curto, médio e longo prazo. A estratégia inclui linhas de crédito específicas para empresas impactadas e ampliação das compras governamentais, de forma que órgãos públicos absorvam parte da produção que perderá mercado externo.
De acordo com estimativas do governo, cerca de um terço das empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos será afetado pela nova tarifa. Embora alguns itens importantes tenham ficado de fora — como suco de laranja, celulose e aeronaves da Embraer — outros produtos de peso, como café e carne, continuam tarifados.
Na agenda original, Alckmin participaria nesta segunda de um congresso do agronegócio pela manhã e do lançamento de um programa de qualificação para exportações à tarde, ambos em São Paulo. Ele já estava na capital paulista, mas mudou o roteiro para acompanhar de perto as negociações.
As tarifas, que entraram em vigor há seis dias, preocupam o Planalto por atingirem setores estratégicos e ameaçarem o equilíbrio da balança comercial. Além do plano emergencial, o governo busca alternativas para ampliar mercados, com foco especial em acordos com países árabes e asiáticos.






