Presidente argentino reafirma ofensas e diz que apenas descreveu fatos; nega alinhamento com Trump
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão” e “corrupto” em entrevista concedida na noite de domingo (2) ao canal argentino La Nación+. As declarações ocorrem em meio à tensão diplomática entre os dois países.
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Ao ser questionado sobre as críticas feitas na semana passada, Milei respondeu: “É ladrão. É um ladrão, é um corrupto, foi condenado por ser ladrão e corrupto. Esteve preso, então é verdade que é ex-presidiário”. Em seguida, afirmou que Lula foi libertado “por uma falha administrativa, de procedimento, não por ser inocente” e insistiu que apenas descreveu fatos.
Quando o entrevistador perguntou se a forma como se referiu ao presidente brasileiro não teria sido agressiva, Milei rebateu: “Eu menti?”. E acrescentou: “Não parece que é agressivo que alguém te roube? É muito mais leve dizer ladrão para o ladrão do que o próprio ato de roubar.” Questionado se as declarações fazem parte de uma estratégia geopolítica alinhada a Donald Trump, o presidente argentino negou.
Milei afirmou que os comentários surgem de forma espontânea durante seus discursos e refletem sua defesa das “ideias da liberdade”. As novas ofensas acontecem poucos dias depois de Lula se reunir, em Brasília, com o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, e com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para discutir a crise diplomática.
Milei voltou a chamar Lula de “ladrão” e “corrupto” e afirmou que apenas descreveu fatos, em meio à crise diplomática entre Brasil e Argentina. Na reunião em Brasília, o embaixador Bitelli relatou que a escalada da tensão “pegou muito mal” para Milei dentro da Argentina. O Itamaraty, por sua vez, informou que o governo argentino sinalizou não ter intenção de romper relações diplomáticas com o Brasil.
A reiteração das ofensas mantém o clima de atrito entre os dois países e amplia o desgaste nas relações bilaterais. Enquanto Milei insiste no tom confrontador, o governo brasileiro tenta administrar a crise sem escalar para um rompimento formal. O episódio continua a repercutir tanto no Brasil quanto na Argentina.
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