Presidente francês defende renegociação para proteger agricultura europeia e evitar prejuízos à reindustrialização
Em visita à Argentina, o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou que seu país não apoiará o acordo comercial entre União Europeia (UE) e Mercosul “tal como está”. Durante reunião com o presidente argentino, Javier Milei, neste domingo (17), Macron propôs uma renegociação para estabelecer termos mais equilibrados para ambas as partes.
“Não acreditamos no acordo tal como foi negociado”, afirmou Macron ao deixar Buenos Aires rumo ao Rio de Janeiro para a cúpula do G20.
Críticas ao impacto do acordo
Macron expressou preocupações com o impacto do acordo sobre a agricultura europeia, especialmente pela entrada de carne tratada com hormônios e antibióticos. Ele destacou que é incoerente exigir que agricultores europeus sigam normas rigorosas enquanto se permite a importação de produtos que não atendem aos mesmos padrões:
“Não podemos sacrificar a agricultura europeia para avançar nesse acordo”.
O presidente francês citou o modelo do acordo UE-Canadá, que inclui garantias contra a entrada de carne tratada com hormônios, e defendeu que algo semelhante seja incorporado na negociação com o Mercosul.
Insatisfação de ambas as partes
Segundo Macron, diversos países do Mercosul, incluindo a própria Argentina, compartilham insatisfações com o acordo. Milei, por sua vez, teria manifestado críticas tanto ao texto atual quanto ao funcionamento do bloco sul-americano.
Além disso, Macron ressaltou a importância de ampliar a cooperação em setores estratégicos, como o lítio, mas sem comprometer a agricultura europeia.
Contexto político e econômico
O acordo UE-Mercosul, fechado em 2019, ainda aguarda assinatura e ratificação. Protestos recentes de agricultores franceses, contrários ao avanço do tratado, intensificaram a pressão sobre o governo Macron, que busca alinhar interesses econômicos e ambientais no cenário internacional.
Por outro lado, o diálogo entre Macron e Milei incluiu temas como mudanças climáticas, contratos de defesa e a transição energética, mas revelou diferenças de visão, especialmente em relação ao clima. Milei, no entanto, não confirmou intenção de abandonar os Acordos de Paris.






