O triste fim do Governo Master 1.0: eu não vi, eu não ouvi, eu não entendi nada

 

Pouco antes de deixar o Palácio do Buriti de forma melancólica, Ibaneis Rocha concedeu uma entrevista ao Metrópolis na sexta-feira, praticamente na véspera de entregar o cargo.

E o que ele entregou foi um espetáculo de cinismo raro.

Questionado sobre o escândalo da compra do Banco Master pelo BRB, o ex-governador (quase ex) disse duas coisas impressionantes: Primeiro, que nunca tinha ouvido falar no nome de Daniel Vorcaro. Segundo, que não tinha capacidade técnica para avaliar o negócio.

Sério?

O homem que construiu um dos maiores e mais bem-sucedidos escritórios de advocacia do país, que o tornou bilionário, que vive de direito empresarial, contratos bilionários e transações complexas entre grandes bancos e conglomerados, vem dizer que “nunca ouviu falar” de Daniel Vorcaro?

Nome que, há anos, era sussurrado dentro do sistema bancário como sinônimo de golpe e risco? Difícil de engolir. Ainda mais quando sua própria empresa negociava há mais de um ano com Reag, PicPay e todo o ecossistema ligado ao Master.

E o pior: o governador do Distrito Federal — ordenador de um orçamento de dezenas de bilhões — diz que não tinha capacidade para avaliar a compra de um banco. O mesmo homem que indica diretores do BRB, que supervisiona o maior banco público do DF, vem posar de inocente útil que “nem sabe fazer PIX”.

Parece aqueles três macaquinhos: não vi, não ouvi, não falei.

Não cola. Simplesmente não cola.

Ibaneis sai de cena deixando um rastro de desconfiança. O governo que muitos já chamam de “GovernoMaster” será sucedido pelo governo Celina Marter 2.0 — continuação do esmo filme, com elenco parecido e roteiro previsível.

Enquanto isso, Paulo Henrique (ex-presidente do BRB) já correu para a PF fazer delação. Daniel Vorcaro negocia da cadeia. E quando os dois abrirem o bico de vez, especialmente para o Supremo, as cenas dos próximos capítulos prometem ser bem diferentes da versão “eu não sabia de nada” vendida por Ibaneis.

A política brasiliense é implacável.

Durmam com isso. Ou acordem e observem: quem sai de cena lavando as mãos costuma deixar muita sujeira para trás. E essa sujeira tende a aparecer exatamente quando os delatores começam a cantar, e aí saberemos o que Ibaneis disse que não ouviu, viu e valou.

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