Por Tiago Lucero
Lula, como sempre, conseguiu se superar no esforço de transformar a lógica em retórica de boteco sindical. Em sua última pérola, disse que “o país precisa garantir que muitos tenham pouco dinheiro”. A frase, além de grotesca, expõe a essência da visão marxista de cortiço: nivelar todos por baixo, porque na cabeça dele a miséria coletiva é mais justa do que a prosperidade desigual.
Não é exagero dizer que Lula sofre de uma espécie de marxismo tardio, aquele que se aprende em assembleia de sindicato enfumaçada: uma mistura de inveja, ressentimento e uma crença messiânica de que ele, o operário iluminado, encarna a vontade do povo. Winston Churchill, sempre cirúrgico, já havia antecipado o diagnóstico: o motor do socialismo não é a justiça, nem a caridade, mas a inveja. Lula apenas atualizou a frase, em português de bar: “melhor muitos com pouco do que alguns com muito”.
Esse raciocínio rasteiro esconde um detalhe perverso. Enquanto promete igualdade na pobreza, o líder e sua casta partidária nunca entram nessa fila. Pelo contrário, usufruem das regalias, das mordomias e da riqueza que a máquina pública garante. Ou seja, o “muitos com pouco” só vale para a plateia — o palco é sempre reservado para os mesmos messias autoproclamados, que, entre aplausos e narrativas, seguem acumulando poder e patrimônio.
No fim, Lula não está apenas errado — ele revela, sem querer, o projeto de sempre: transformar a miséria em política de Estado. Não para resolvê-la, mas para perpetuá-la. Porque um povo próspero não precisa de salvador. Mas um povo mantido no limite do “pouco” sempre terá um líder para lembrar quem é o “pai dos pobres”.






