A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 9ª DP (Lago Norte), deflagrou na madrugada desta quarta-feira, 8, a Operação Revelia, com o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão preventiva e ordens de bloqueio de valores e bens em desfavor de uma associação criminosa especializada na prática sistemática do chamado “golpe do falso advogado”.
As ordens judiciais foram cumpridas nas cidades de São Paulo (capital), São Caetano do Sul e Santos, com apoio operacional da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCSP), uma vez que o núcleo do grupo criminoso está sediado naquele estado, embora suas vítimas estejam concentradas no Distrito Federal. O Grupo é apontado como responsável por prejuízos de centenas de milhares de reais contra vítimas do Distrito Federal.
Foram identificadas conversas em que os integrantes do grupo tratavam abertamente da habilitação de chips telefônicos e da compra e venda de contas bancárias de terceiros (“contas laranja”), utilizadas para receber e movimentar o dinheiro obtido com os golpes, numa estrutura voltada a ocultar e dissimular a origem ilícita dos recursos.
Em um dos diálogos interceptados durante a investigação, um dos autores chegou a debochar da atuação da Justiça, afirmando que uma investigação contra ele “nunca daria nada” e que seria “raro dar uma investigação”. A convicção de impunidade, no entanto, não resistiu ao trabalho investigativo da 9ª DP. Reunidas as provas da materialidade e da autoria delitiva, a Justiça decretou a prisão preventiva deste envolvido. Depois de meses lesando famílias inteiras à distância, escondido atrás de telas e processos que não lhe pertenciam.
Como funciona o golpe
O golpe do falso advogado ocorre quando criminosos utilizam dados públicos de processos judiciais reais para se passar pelo seu representante legal ou por membros do escritório. Eles entram em contato por aplicativo de conversa, geralmente usando a foto do profissional, alegam que você tem uma quantia grande a receber (uma causa ganha, por exemplo), no entanto, exigem um pagamento imediato via Pix ou transferência para “liberar o dinheiro preso”, “pagar taxas cartorárias” ou “custas processuais”. Após a vítima realizar a transferência, os criminosos bloqueiam o contato e desaparecem com o dinheiro.
Estrutura sofisticada de ocultação de dados e de dinheiro.
As investigações revelaram um nível de sofisticação alarmante. Nos sistemas eletrônicos apreendidos com um dos chefes do grupo, os policiais localizaram 585 cópias de peças processuais e processos judiciais inteiros, extraídos do sistema PJe, pertencentes a centenas de feitos judiciais diferentes — material que abastecia os golpistas com informações reais e verossímeis para dar credibilidade às abordagens fraudulentas.
Os investigados responderão pelos crimes de Estelionato eletrônico, Lavagem de dinheiro e Associação criminosa.






