Política Federal vê ingerência na perícia e risco de atraso nas investigações; decisão designou peritos diretamente pelo STF
A Polícia Federal avalia, em conjunto com a Advocacia-Geral da União (AGU), a possibilidade de recorrer da mais recente decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a designação direta de peritos para atuar no material apreendido na segunda fase da operação contra o Banco Master.
Segundo reportagem de Lex Harvey, da CNN Brasil, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, discutem internamente o impacto da medida. Delegados da corporação avaliam que a decisão pode atrasar o andamento das investigações, uma vez que os peritos indicados não participaram da apuração conduzida ao longo de meses e não têm familiaridade com o conjunto de dados já analisados.
Integrantes da PF relataram incômodo com o fato de terem tomado conhecimento da decisão pela imprensa. Em um intervalo de 24 horas, Toffoli determinou que o material apreendido fosse, sucessivamente, mantido sob custódia de seu gabinete, analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e, por fim, submetido à perícia de profissionais escolhidos diretamente por ele.
De acordo com apuração do jornalista Teo Cury, da CNN Brasil, o ministro citou nominalmente quatro peritos da PF — Luís Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schrepel Delmutti — sem que a indicação passasse pela cúpula da corporação. Apesar de reconhecidos como profissionais qualificados, a escolha direta gerou reação interna, por ser considerada uma interferência em atribuição típica da Polícia Federal.
Ainda segundo a reportagem, a decisão ocorreu após o diretor-geral da PF alertar o STF para o risco de prejuízo às investigações, incluindo a possibilidade de destruição remota de provas, caso a análise técnica não fosse iniciada de imediato.
Contexto institucional e crítica opinativa
Em texto opinativo, o jornalista William Waack, também da CNN Brasil, analisou o episódio em um contexto mais amplo de atuação do Supremo. Waack destacou que o STF instaurou um novo inquérito sigiloso de ofício para apurar vazamentos de dados envolvendo ministros da Corte, sem provocação da PF ou da PGR.
Segundo o colunista, não foi o vazamento em si, mas o conteúdo das informações divulgadas — envolvendo relações contratuais e financeiras ligadas a familiares de ministros no caso do Banco Master — que provocou constrangimento institucional. Para Waack, a medida representa uma atuação voltada à proteção de interesses pessoais de integrantes do tribunal, avaliação expressa no campo da opinião jornalística.
As investigações sobre o Banco Master seguem em andamento, enquanto PF e AGU analisam os próximos passos jurídicos diante das decisões do Supremo.
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