Documento final indica indiciamento do ex-presidente, filho Eduardo e revela repasses não declarados a Michelle Bolsonaro
A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito que investigava a tentativa de golpe de Estado no Brasil entre 2022 e 2023. O relatório final indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
Segundo a PF, a investigação está relacionada à Ação Penal nº 2668, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e envolve oito réus. O grupo é acusado de organização criminosa, tentativa de golpe e restrição ao funcionamento dos poderes constitucionais.
O relatório aponta que Bolsonaro compartilhou mais de 300 conteúdos durante o período investigado. Entre eles, havia convocações para mobilização de apoiadores, críticas a Alexandre de Moraes, vídeos do ex-presidente Donald Trump e mensagens de parlamentares pedindo apoio ao ex-presidente.
Um dos episódios citados pela PF envolve o deputado federal Capitão Alden (PL-BA), que pediu a Bolsonaro uma gravação para ser exibida em ato em Salvador (BA). Bolsonaro resistiu, mas acabou autorizando uma ligação e, posteriormente, compartilhou um vídeo do contato. O material foi utilizado como indício de descumprimento de medidas judiciais.
Além disso, a corporação identificou inconsistências no depoimento de Bolsonaro no Inquérito nº 4.995. O ex-presidente declarou ter transferido apenas R$ 2 milhões ao filho Eduardo, mas investigações apontaram outros repasses. Em 4 de junho de 2025, Bolsonaro também transferiu R$ 2 milhões à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, um dia antes de prestar depoimento.
Para a PF, as movimentações financeiras, feitas em valores idênticos e em datas próximas, indicam tentativa de blindagem patrimonial para evitar bloqueios judiciais. O relatório será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, responsável por avaliar o prosseguimento do processo.






