Primeira reunião vota regras internas e lista de 35 requerimentos, incluindo nomes da Previdência de diferentes governos
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS realiza nesta terça-feira (26/8), às 9h, sua primeira reunião de trabalho, após a instalação em 20 de agosto. O encontro marca o início efetivo das votações e servirá para definir as regras de funcionamento do colegiado, além de apreciar os primeiros requerimentos de convocação.
Segundo o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), as sessões ocorrerão às segundas e quintas-feiras, em dias sem deliberação no plenário do Congresso, para evitar manobras de obstrução.
O relator, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), afirmou que a CPMI “seguirá o caminho do dinheiro” e que as investigações podem levar a penas superiores a 30 anos para envolvidos em fraudes.
Primeiras convocações
Estão na pauta cerca de 35 requerimentos, incluindo pedidos de convocação de ex-ministros, ex-presidentes do INSS, além de representantes da CGU, da PF e da DPU. Entre os nomes listados estão Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência, e ex-presidentes do instituto de diferentes gestões, de Lula a Jair Bolsonaro.
Contexto político
A eleição da cúpula da CPMI representou uma derrota para o governo. A base esperava eleger Omar Aziz (MDB-AM) como presidente e Ricardo Ayres (Republicanos-TO) como relator, mas a oposição conseguiu reverter o cenário e garantiu a presidência para Viana e a relatoria para Gaspar.
Após o revés, líderes governistas admitiram falha na articulação. Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, assumiu a responsabilidade, enquanto ministros como Gleisi Hoffmann, Rui Costa e Wolney Queiroz se reuniram para redesenhar a estratégia do Planalto diante das investigações.
Escândalo do INSS
O caso teve origem em uma série de reportagens publicadas pelo Metrópoles a partir de dezembro de 2023, que revelaram irregularidades em descontos indevidos de aposentados. A apuração mostrou que entidades arrecadaram R$ 2 bilhões em um ano com mensalidades fraudulentas, levando a inquéritos da Polícia Federal e da CGU.
As denúncias resultaram na Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2024, que culminou na demissão do então presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.






