Presidente reage às ações de Trump no Caribe e critica “intromissão estrangeira” em assuntos internos de outros países
Em meio à crescente tensão entre Estados Unidos e Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do governo de Nicolás Maduro nesta quinta-feira (16), durante o 16º Congresso do PCdoB, em Brasília. Diante das recentes movimentações militares norte-americanas na região do Caribe, Lula afirmou que o destino da Venezuela deve ser decidido por seu próprio povo, e não por governos estrangeiros.
“Todo mundo diz que a gente vai transformar o Brasil na Venezuela, e o Brasil nunca vai ser a Venezuela, e a Venezuela nunca vai ser o Brasil. O que nós defendemos é que o povo venezuelano é dono do seu destino — e não é nenhum presidente de outro país que tem que dar palpite de como vai ser a Venezuela ou Cuba”, declarou Lula, sem citar Donald Trump diretamente.
A fala ocorre no momento em que os Estados Unidos ampliam sua pressão sobre Caracas, com o envio de uma frota de guerra ao Caribe e autorização da CIA para operações “secretas e letais” contra o regime chavista. Segundo o New York Times, a medida faz parte de um plano da Casa Branca para derrubar Maduro, sob o pretexto de combate ao narcotráfico internacional.
Trump declarou na quarta-feira (15) que as ações buscam impedir o ingresso de criminosos e drogas vindos da Venezuela, mas documentos obtidos pelo jornal apontam que a real intenção seria a desestabilização política do país vizinho.
O discurso de Lula reforça a posição histórica do governo brasileiro de não intervenção em assuntos internos de outras nações latino-americanas, postura que contrasta com a política externa norte-americana nas últimas décadas.
O evento contou com a presença de ministros e aliados do governo, como Gleisi Hoffmann, Alexandre Silveira, Luciana Santos e Sidônio Palmeira, e serviu como palco para o reforço do discurso de soberania nacional diante da crescente tensão hemisférica.
Nos últimos meses, a administração Trump reclassificou o cartel de Los Soles — supostamente ligado a Maduro — como organização terrorista, abrindo brecha legal para justificar operações militares no exterior sob o argumento de guerra ao terror. Desde então, cinco ataques a embarcações venezuelanas foram confirmados, sem provas concretas de envolvimento com o tráfico.
Com o avanço das ações norte-americanas e a escalada retórica, a posição do Brasil tende a se tornar um ponto-chave nas negociações regionais, especialmente após o reaproximar diplomático entre Lula e Trump, que devem se encontrar nas próximas semanas.






