Presidente americano liga posição americana à condenação de Eduardo Bolsonaro e emite recado velado ao governo Lula durante cúpula do G7
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (17) que a situação política no Brasil se tornou “perigosa”. A declaração foi feita após ele participar de uma coletiva de imprensa na França, durante a cúpula do G7, logo após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Trump disse que passou bastante tempo conversando com Lula e classificou o momento político brasileiro como “um pouco complicado” e “perigoso”. Em seguida, fez referência direta à condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, a quem chamou de “Bolsonaro Jr.”.
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“Ouvi dizer que prenderam hoje uma pessoa que estava concorrendo a um cargo público. […] Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas”, afirmou Trump. Embora Eduardo Bolsonaro tenha sido condenado pelo STF e não preso, o presidente americano escolheu o verbo “prenderam”, associando a medida a uma fala feita por Eduardo em território americano.
Para um cientista político ouvido pela reportagem, a forma como Trump encadeou os argumentos não foi casual. Ao dizer que a política no Brasil ficou “perigosa” e, na sequência, citar a condenação de Eduardo por causa de um discurso feito nos Estados Unidos, Trump construiu uma narrativa segundo a qual adversários políticos estariam sendo alvo de perseguição judicial por se alinharem a posições defendidas por Washington.
Na avaliação desse especialista, Trump não está apenas comentando um caso isolado. Ele está sinalizando que vê a condenação de Eduardo como um ataque a alguém que atuou de forma alinhada aos interesses americanos e, por extensão, como um movimento contra a própria influência dos Estados Unidos no Brasil.
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Trump reforçou essa leitura ao completar: “Eles jogam duro. Mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos”. A frase, segundo a mesma análise, funciona como um aviso velado. Ao reconhecer que o Brasil “joga duro”, Trump imediatamente contrapõe que os americanos jogam ainda mais duro, deixando implícito que não aceitarão passivamente o que considera uma ofensiva contra aliados políticos nos Estados Unidos.
O recado ganhou contornos ainda mais claros quando, depois, Lula fez um discurso em que afirmou que “o Brasil acima de tudo, mas antes os EUA” e pediu que ninguém se meta nas eleições brasileiras. Para analistas, a resposta rápida do presidente brasileiro indica que a mensagem de Trump foi recebida como uma interferência velada.
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