Um homem morto sentado numa cadeira de rodas dentro da UPA do Recanto das Emas.
Sem atendimento. Sem nome. Sem ninguém ali saber sequer quem ele era. Ficou ali, esperando. Até que não esperou mais.
Essa imagem, por si só, já seria suficiente para resumir o que foram os últimos sete anos e meio de governo no Distrito Federal. Não é um caso isolado. É o retrato mais fiel possível do que aconteceu com a saúde pública — e com o resto — sob a gestão de Ibaneis Rocha e Celina Leão.
Um secretário de Saúde preso. Uma governadora que, em vez de reorganizar o sistema, prefere parar na rua, anotar o telefone de uma pessoa e prometer furar fila. Um governo que cancela festa de Brasília para, supostamente, contratar médicos, mas que nunca consegue resolver a estrutura que faz as pessoas morrerem esperando. Um sistema que já não consegue nem identificar quem chega morto de tanto esperar.
Uma ex-governador que pode ser preso a qualquer momento, uma pseudo-governadora que fala em arrumar a casa, mas só fala .
Seria só sinismo, mas a imagem mostra o quanto é trágico – a casa que ela ajudou a habitar durante quase quatro anos como vice-governadora desabou. E agora, como governadora, ela colhe exatamente o que ajudou a plantar: um sistema de saúde que não tria, não atende, não resolve e, em muitos casos, nem identifica quem está morrendo nas suas dependências.
Não é falta de recurso. É falta de gestão. É falta de prioridade. É falta de compromisso.É a marca de um governo que sempre soube usar a saúde como palanque, mas nunca soube — ou nunca quis — fazer dela funcionar. O resultado está aí: gente morrendo sentada em cadeira de rodas, sem nome, sem atendimento e sem que ninguém parecesse estar realmente surpreso.
Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando um homem morre sozinho numa UPA, sem sequer ter sido identificado, não é um acidente. É o resultado de sete anos e meio de descaso, de propaganda em cima de estrutura podre e de quem, mesmo tendo participado ativamente do governo que produziu esse colapso, ainda tenta se apresentar como solução.
A imagem é dura. Mas é real. E é exatamente isso que Celina e Ibaneis deixam como herança.






