E o BRB como vai? Muito mal, obrigado

Na verdade, a beira do precipício com o DF amarrado ao seu calcanhar

Enquanto Celina Leão tenta segurar o banco com dinheiro público, o governo distrital segura contas, obras e serviços para evitar o colapso de uma instituição que já engoliu bilhões no escândalo do Master. O rombo ameaça não só o caixa do GDF, mas até depósitos judiciais e a própria estabilidade financeira do país.

O BRB (Banco de Brasília) não está apenas “em crise”. Está rumando para o ponto de não retorno, e o governo do Distrito Federal — seu controlador — vem usando todos os recursos disponíveis para adiar o inevitável. Segundo reportagem de Júlio Wiziack no UOL, quase R$ 9 bilhões do Orçamento de R$ 74,4 bilhões deste ano foram bloqueados, e pagamentos autorizados seguem em atraso. O objetivo? Manter liquidez no banco e evitar intervenção do Banco Central e uma crise que pode chegar a mais de R$ 50 bilhões.

É o clássico “salvar o banco com dinheiro público enquanto o serviço público sofre”.

O que está acontecendo de fato

Envolvido até o pescoço no escândalo do Banco Master, o BRB mergulhou em uma situação tão grave que o GDF decidiu manter depositado no banco o dinheiro destinado a despesas e investimentos. Sem liquidez, o banco precisava de recursos rapidamente para continuar operando pagamentos e empréstimos diários.

O plano A — acordo com a gestora Quadra, que adiantaria até R$ 4 bilhões em troca de carteiras podres — desmoronou. Com isso, o Tesouro do DF virou o “plano B”: depósitos do governo no banco para garantir giro diário. O secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, confirmou a estratégia de usar liquidez do Tesouro para substituir o dinheiro que não veio da Quadra.

Resultado prático: o DF aperta o cinto, atrasa pagamentos e bloqueia recursos enquanto o BRB tenta respirar. E o balanço do banco ainda não saiu exatamente porque revelar o estado real de falta de liquidez poderia forçar o BC a intervir.

A conta que não para de crescer

O rombo não é pequeno. O BRB se expôs a cerca de R$ 30 bilhões em ativos problemáticos ligados ao Master. Agora, tenta um empréstimo de até R$ 6 bilhões junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), mas as negociações estão duras: o fundo resiste aos dois anos de carência pedidos, quer parcelas adiantadas e juros acima de 4% ao ano + IPCA. O BRB tenta manter condições mais favoráveis (2% + IPCA).

Sem o FGC, o risco é gigantesco. Uma eventual liquidação geraria R$ 20 bilhões a serem pagos pelo FGC a correntistas e investidores. Além disso, há R$ 30 bilhões em depósitos judiciais (com R$ 12 bilhões concentrados no BRB), o que colocaria tribunais de Justiça em risco de perdas bilionárias. O Master já consumiu boa parte do colchão do FGC. O BRB, se cair, pode ser o golpe final.

O preço político e a realidade que Celina não consegue esconder

Para a governadora Celina Leão, que disputa a reeleição, o cenário é catastrófico. Ter de arrumar R$ 30 bilhões imediatamente para devolver à Justiça seria um baque político mortal. Enquanto isso, o arrocho fiscal continua: saúde, educação, segurança e obras sentem o aperto para manter o BRB vivo.

O governo nega atrasos sistemáticos e fala em “ajuste fiscal” para equilibrar as contas, mas assessores admitem nos bastidores o uso de recursos para preservar a liquidez do banco. É o tipo de malabarismo que mostra a prioridade clara: salvar a instituição controlada pelo GDF antes de entregar serviços básicos à população.

O que vem pela frente

O BRB ainda busca compradores para sua carteira de crédito enquanto espera o FGC. Mas o tempo joga contra. A cada dia de atraso, o buraco fica maior e a conta — de depósitos judiciais a aposentadorias e serviços públicos — fica mais cara para quem paga imposto no DF.

Enquanto isso, a população vê o dinheiro público sendo usado para sustentar um banco que mergulhou no escândalo Master. O DF não está apenas socorrendo o BRB. Está arriscando levar junto o equilíbrio das contas públicas, a credibilidade institucional e o futuro de quem depende de serviços que, mais uma vez, ficam para trás.

O precipício está à vista. E o governo, em vez de frear, continua acelerando para tentar salvar o que já está ruindo.

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