Mãos com distritais, uma imagem que correu a blogosfera, uma mensagem direta que não ficará sem resposta. Aliás, a resposta veio com menos de vinte e quatro horas: aqueles que realmente mandam no MDB deixaram claro: “não vai rolar”.
Celina Leão segue na batalha para controlar o MDB do Distrito Federal e garantir o apoio da bancada na Câmara Legislativa. Há dois dias, ela publicou em várias redes sociais foto com os deputados distritais Weligton Luiz, Hermeto, Jaqueline Silva, Yolando e Daniel Donizet — todos ladeando a governadora, mãos unidas ao centro. A mensagem foi clara e direta: “Não adianta vocês tomarem as rédeas do partido ou tentar ditar o que vai acontecer. Eu continuarei com o apoio deles.”
Celina só esqueceu de um detalhe básico: o MDB não se resume ao MDB-DF. O poder de Ibaneis Rocha dentro do partido é consolidado muito além das fronteiras locais. A resposta veio rápida. Na tarde de hoje, o deputado federal Isnaldo Bulhões (MDB-AL) mandou recado que vale para a executiva nacional: não será permitido o alinhamento do partido com Celina Leão.
O viés de quem acredita nas próprias ilusões
Celina não erra por ingenuidade. Ela sabe exatamente onde está pisando. O problema é o clássico viés de confirmação: ela acredita nas próprias ilusões. Usando o poder da máquina pública — recursos, emendas, secretarias, influência sobre votações —, ela acha que pode forçar lealdade eterna dos distritais.
Celina parece ter esquecido a verdadeira natureza do poder. Como diria Frank Underwood, adaptando para a realidade brasileira:
“Dinheiro é uma mansão que você constrói dentro de uma favela e, em dez anos, ela vai estar totalmente deteriorada e não vai valer nada. O poder é uma casa que você constrói em cima da rocha, em cima de uma montanha, que dura por séculos.”
A potência de Celina hoje deriva diretamente da massa de recursos do governo do DF. É capaz de oprimir, direcionar votos e orientar deputados distritais. Mas isso é dinheiro. Ibaneis e os caciques do MDB nacional sabem muito bem a diferença entre poder de ocasião e poder consolidado.
O castelo de cartas que qualquer sopro derruba
Enquanto Celina posa para fotos de união forçada, o MDB nacional sinaliza que não vai chancelar o movimento. E isso é apenas o começo. Na era da perda de força do maior partido do Distrito Federal, é de se esperar que outros venham a aderir à debandada. Na verdade, o que podemos esperar é que, no momento certo, todos a deixem.
O que Celina montou é um castelo de cartas. Parece equilibrado enquanto o vento não sopra. Mas qualquer sopro — e o MDB nacional já está soprando — faz a estrutura desabar.
O tempo dirá o preço que esses distritais que aparecem ao lado dela vão pagar diante do poder real empunhado por Ibaneis e Rafael Prudente, respaldado pela estrutura nacional do partido, infinitamente mais poderosa que alianças locais feitas por pura conveniência.






