Washington recusa contato com Maria Luiza Viotti após revogar vistos de Moraes e aliados; próximos alvos podem ser ativos e bancos brasileiros
A recusa dos Estados Unidos em atender a embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti marca um novo degrau na escalada de tensão entre Washington e Brasília. Após a revogação dos vistos do ministro Alexandre de Moraes e de seus aliados, o Departamento de Estado rejeitou diálogo com a diplomata, com um recado direto: “Too late”.
A frase, segundo fontes da CNN, sintetiza o sentimento de insatisfação da Casa Branca com a postura do governo brasileiro, acusado de negligenciar a interlocução diplomática desde o início do ano. O Itamaraty, por sua vez, afirma ter enviado uma carta formal em 16 de maio, que sequer foi respondida.
O gesto de ignorar a embaixadora é simbólico: revela que os canais tradicionais estão suspensos e que Washington não pretende recuar. A atitude é lida por analistas como um “congelamento diplomático”, no qual o Brasil passa a operar à margem das vias formais de negociação.
Enquanto isso, avança o processo de concessão de residência nos EUA para Eduardo Bolsonaro. O deputado licenciado, que vive entre Texas e Miami, conta com apoio de instituições ligadas ao conservador Ron DeSantis, reforçando a costura política de bastidores com a ala trumpista.
Ex-integrantes do Departamento de Estado apontam que os próximos passos incluem medidas econômicas: congelamento de ativos de autoridades brasileiras e sanções secundárias contra bancos e empresas que mantenham relações com elas.
Com tarifas de 50% sobre exportações brasileiras prestes a entrar em vigor, os sinais são claros: o governo americano escolheu pressionar o Brasil em várias frentes — diplomática, política e financeira — num movimento sem precedentes na relação entre os dois países.






