Rejeição ao governo chega a 69% entre evangélicos, e presidente retira referências religiosas dos discursos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu encerrar a estratégia de aproximação com o público evangélico, segundo aliados ouvidos pelo jornal Estadão. A decisão preocupa o Palácio do Planalto, que vê aumentar a rejeição ao governo nesse segmento, historicamente alinhado à direita.
Pesquisas recentes mostram que a relação do petista com os evangélicos vive seu pior momento. Levantamento Datafolha, divulgado em 2 de agosto, aponta que apenas 18% avaliam o governo de forma positiva — queda em relação aos 30% registrados em outubro de 2024. A rejeição, por sua vez, subiu para 55%, o maior índice desde março de 2023.
O Instituto PoderData confirma o cenário negativo: 69% dos evangélicos desaprovam a gestão, enquanto apenas 26% aprovam. Os números indicam que sete em cada dez integrantes desse grupo religioso estão insatisfeitos com o governo federal.
Segundo aliados, Lula teria “cansado” de buscar essa aproximação e deixou de fazer referências religiosas em seus discursos — algo que, até recentemente, era comum em eventos pelo país. A mudança de tom, afirmam, é um sinal de que o presidente já não vê espaço para reverter o desgaste.
Apesar do recuo de Lula, o PT ainda tenta manter canais de diálogo. Em maio, a Fundação Perseu Abramo promoveu um curso voltado a militantes evangélicos, com o objetivo de prepará-los para debater com lideranças e fiéis sobre pautas de interesse do partido.
A distância entre governo e evangélicos tende a influenciar as disputas eleitorais de 2026, já que esse segmento representa cerca de um terço do eleitorado brasileiro e é visto como decisivo em pleitos nacionais.






