A comparação entre a Pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política e a pesquisa Real Time Big Data de dezembro aponta forte queda da governadora desde dezembro; ex-governador aparece colado e se consolida como principal alternativa da centro-direita
A governadora Celina Leão (PP) registrou queda expressiva nas intenções de voto para o Governo do Distrito Federal nos últimos seis meses. Segundo a mais recente pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política, divulgada nesta semana, ela aparece com 27,8% das intenções de voto, uma redução de 12,2 pontos percentuais em relação ao levantamento do Instituto Real Time Big Data de dezembro de 2025, quando liderava com 40%.
O ex-governador José Roberto Arruda (PSD) subiu de 21% para 23,5% no mesmo período e está tecnicamente empatado com Celina, dentro da margem de erro de 3,4 pontos percentuais. O cenário indica uma forte compressão da vantagem da governadora e o fortalecimento de Arruda como principal adversário na disputa de 2026.
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A comparação entre os dois levantamentos considera pesquisas realizadas por institutos diferentes e com metodologias distintas. O primeiro levantamento, do Instituto Real Time Big Data, foi divulgado em dezembro de 2025 e ouviu 1.200 pessoas entre os dias 6 e 8 daquele mês, com margem de erro de 3 pontos percentuais. Já o segundo, realizado pelo instituto Opinião Inteligência Política a pedido do jornal Correio Braziliense, foi a campo entre os dias 11 e 15 de junho de 2026, de forma presencial, abrangendo todas as 33 regiões administrativas do Distrito Federal, com margem de erro de 3,4 pontos percentuais.
Embora se trate de pesquisas com metodologias, amostragens e períodos de campo diferentes, a comparação é válida porque ambas têm como universo o eleitorado do Distrito Federal. O intervalo de seis meses entre os dois levantamentos permite observar de forma clara a mudança no cenário eleitoral, especialmente após a eclosão da crise envolvendo o BRB e a tentativa de compra do Banco Master, fato que impactou de maneira significativa a percepção da população sobre os principais pré-candidatos.
Queda de Celina e fatores que pesam contra a governadora
A redução nas intenções de voto de Celina Leão coincide com uma série de fatores negativos que marcaram sua gestão nos últimos meses. O principal deles é a percepção de sua ligação direta com a crise do BRB e a tentativa de compra do Banco Master.
A governadora negociou junto ao governo federal e ao STF um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para socorrer o BRB, com prazo de pagamento em 10 anos. Especialistas do mercado financeiro projetam que, considerando juros e encargos, o custo total da operação pode chegar próximo a R$ 20 bilhões ao final do contrato.
Segundo cientista político consultado, Celina enfrenta três grandes desgastes na sua imagem perante o eleitorado: o primeiro é a incapacidade de resolver o problema da saúde; o segundo é que cobrir o roubo do BRB com um empréstimo que vai ser pago por toda a população e cujo pagamento afeta os serviços públicos e os servidores; o terceiro é o sentimento de traição com o rompimento político com o ex-governador Ibaneis que sustentava parte de sua candidatura
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Outro fator que pode ter contribuído para o desgaste de Celina foi o rompimento público e agressivo com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). Ambos trocaram acusações de traição pelas redes sociais, expondo bastidores nada republicanos da relação política que mantinham até pouco tempo atrás.
Arruda se consolida como alternativa e se beneficia de cenário jurídico favorável
Enquanto Celina perde apoio, José Roberto Arruda aparece em alta. Ele passou de 21% em dezembro para 23,5% em junho e está dentro da margem de erro da líder. A pesquisa também mostra que Arruda é um dos nomes mais conhecidos do eleitorado: 53,5% dos entrevistados afirmam conhecê-lo, sendo que 16,8% dizem conhecê-lo bem.
A ascensão de Arruda ocorre em um momento juridicamente favorável. Recentemente, o ministro Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu por 90 dias o julgamento da ADI que questiona a alteração da Lei da Ficha Limpa (LC 219/2025). Com isso, Arruda segue elegível e qualquer discução fica praticamente afastada até depois do período de registro de candidaturas, o que fortalece sua posição como pré-candidato viável.

Outros nomes e rejeição
Na pesquisa de junho, o petista Leandro Grass aparece em terceiro lugar, com 9,2%, seguido pelo senador Izalci Lucas (PL), com 4,9%. A deputada Paula Belmonte (PSDB) registrou forte queda, de 6% para 2,9%. Ricardo Capelli (PSB) aparece com apenas 1,7%.
No cenário espontâneo, quando o eleitor responde sem ver os nomes, Celina lidera com 14%, seguida por Arruda (9,3%) e Leandro Grass (4,9%). No entanto, 22,6% dos entrevistados afirmaram que não votariam em ninguém ou optariam pelo branco/nulo, e outros 43% não souberam responder — números que indicam alto grau de insatisfação e indefinição do eleitorado.
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A pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política tem registro no TSE sob o número RASC-SD0994 e margem de erro de 3,4 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
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