Campanhas questionam salto de 2,24 milhões de seguidores; especialistas falam em efeito manda natural
O crescimento do escritor Augusto Cury (Avante), candidato à Presidência, nas redes sociais acendeu alerta em outras campanhas. Integrantes de times adversários passaram a monitorar o fenômeno, considerado incomum, e admitem, sob reserva, que podem levar o caso ao TSE se forem verificadas irregularidades.
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Após o debate da Band, no domingo (23), Cury registrou alta de seguidores, menções e buscas no Google. Vídeos sobre o candidato se multiplicaram no Instagram. No último Datafolha, ele somava 2% das intenções de voto, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
No Instagram, o perfil ganhou 2,24 milhões de seguidores em cinco dias. No domingo, tinha 8,3 milhões; na terça, 8,5 milhões. Na quarta (26), somou cerca de 690 mil. Na quinta (27), mais 1,2 milhão. Só na primeira hora desta sexta (28), foram 146 mil, segundo a plataforma Social Blade.
Equipes de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos descrevem a curva como “estranha”. Questionam vídeos feitos por influenciadores sem ligação com política, alguns sem mostrar o rosto do candidato, apenas o número de urna, e o aumento de buscas fora do Brasil, com pico na Índia a partir de quarta-feira. No ranking mundial de ganhos de seguidores entre domingo e quarta, Cury ficou em segundo lugar, atrás do perfil da cantora Dolly Parton.
O marqueteiro Sérgio Lima nega crescimento artificial ou pagamento por engajamento. Afirma que 96% dos seguidores estão no Brasil, que o perfil somou 854 mil comentários entre segunda e quinta e que a campanha gastou cerca de R$ 20 mil em impulsionamento na Meta. “Não tem robô. Pode fazer uma auditoria nos comentários”, disse.
Especialista em marketing digital e redes sociais ouvido pelo BSB Times fala que esse fenômeno não é estranho, e que é comum um “efeito manada” natural, sobretudo após fatos relevantes, como foi o debate em que Cury se sobressaiu, que pessoas busquem perfil do candidato. “O que houve foi uma enorme identificação, pessoas se sentiram representadas imediatamente e buscaram saber quem era e encontraram as suas redes. É preciso levar em conta também que se trata de uma figura conhecida, que somente agora as pessoas podem estar tomando ciência de que é candidato a presidência”, ressaltou.
Com 35 segundos de propaganda em rádio e TV a partir desta sexta, Cury tenta se apresentar como “agente da despolitização” e usar o horário eleitoral para atrair o eleitor às redes. Lima atribui o salto à base do escritor, autor de mais de 48 milhões de livros vendidos.
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