Equador declara estado de exceção e mantém eleições após assassinato do candidato Fernando Villavicencio

Presidente do país decreta estado de exceção e reafirma realização das eleições presidenciais marcadas para 20 de agosto.

Por Rogério Cirino

O presidente do Equador, Guillermo Lasso, anunciou nesta quinta-feira (10) o decreto de estado de exceção em todo o território nacional, com duração de 60 dias, após o assassinato do candidato à Presidência do país, Fernando Villavicencio. O atentado ocorreu na noite de quarta-feira (9), quando Villavicencio deixava um comício em Quito.

Lasso enfatizou a importância de manter o processo democrático e afirmou que as eleições presidenciais previstas para o dia 20 de agosto serão realizadas conforme programado. O presidente classificou o crime como um ato político com caráter terrorista, destacando que tal ação não irá impedir o funcionamento do sistema democrático.

O governo equatoriano também decretou um período de luto oficial de três dias em homenagem a Villavicencio. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país condenou veementemente o assassinato, ressaltando que a violência compromete o pleito e a democracia. Lasso expressou pesar pela morte de Villavicencio, oferecendo condolências à família e assegurando que o crime não ficará impune.

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O candidato Fernando Villavicencio foi alvo de vários disparos enquanto já estava no veículo que o levaria do local do comício, realizado no Anderson College, na cidade de Quito. Ele havia denunciado ameaças de uma facção criminosa na semana anterior, recusando-se a utilizar coletes à prova de balas durante seus eventos políticos. A tragédia gerou comoção e preocupações quanto à segurança no ambiente político equatoriano.

Quem era Fernando Villavicencio, Candidato à Presidência do Equador Assassinado

O candidato à presidência do Equador, Fernando Villavicencio, era um jornalista investigativo de 59 anos. Além de sua atuação no jornalismo, ele também teve uma trajetória política relevante, tendo sido membro da Assembleia Nacional do país entre 2021 e 2023. Villavicencio se destacava como defensor de causas sociais, especialmente as relacionadas às comunidades indígenas e aos direitos trabalhistas, desempenhando um papel ativo como líder sindical.

Villavicencio ficou conhecido por sua atuação corajosa no jornalismo, revelando casos de corrupção no governo equatoriano. Em uma matéria de grande impacto, ele acusou o ex-presidente Rafael Correa de crimes contra a humanidade, o que resultou em sua condenação a 18 meses de prisão em 2014, sob a acusação de injúrias contra Correa. Devido a essa perseguição, ele recebeu asilo político no Peru, alegando ser alvo do ex-presidente equatoriano.

Mesmo no exílio, Villavicencio não cessou suas atividades investigativas. Ele continuou a investigar casos de corrupção, inclusive um suposto prejuízo milionário ao Equador na venda de petróleo para a China e a Tailândia, um episódio conhecido como “Petrochina”. Além de suas contribuições no campo do jornalismo, Villavicencio também era autor de 10 livros e fundou portais de notícias no Equador.

Na vida política, como candidato à presidência, Villavicencio defendia veementemente o combate à corrupção, uma bandeira que se tornou central em sua campanha. O assassinato de Villavicencio deixou um vazio no cenário político equatoriano, gerando preocupações sobre os rumos do país e o futuro das eleições presidenciais.

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