Em pesquisa Correio/Opinião, a senadora do PDT lidera o segundo voto, tem menor rejeição e consolida posição forte nos números, revelando uma candidatura que combina visibilidade histórica, trabalho prático e percepção de moderação em um eleitorado mais fluido do que a narrativa das pontas admite
A menos de quatro meses das eleições, a primeira rodada da pesquisa Correio/OPINIÃO Inteligência Política (11 a 15 de junho, 1.095 entrevistas presenciais) colocou um nome em evidência que alguns analistas de gabinete ainda subestimam: Leila do Vôlei.
No voto consolidado (soma dos dois votos), ela aparece em segundo lugar com 30,2%, atrás apenas de Michelle Bolsonaro (38,8%) e à frente de Erika Kokay (25%), Ibaneis Rocha (22,6%) e Bia Kicis (14,4%). No cenário estimulado, fica em terceiro no primeiro voto (13,3%), mas lidera o segundo voto com 16,8% — à frente da própria Michelle (13,6%).
Esses números não são apenas um bom resultado. São a materialização de um fenômeno: Leila está conseguindo o que poucos conseguem neste DF supostamente polarizado — atravessar o espectro ideológico de forma consistente.
O segundo voto que expõe o tamanho real do centro
O dado mais revelador da pesquisa não é a liderança de Michelle Bolsonaro no primeiro voto — esperada em um cenário de forte apelo nacional da direita. É o fato de Leila do Vôlei liderar o segundo voto. Isso significa que uma parcela relevante de eleitores que colocam Michelle, Ibaneis, Bia Kicis ou até Reguffe como primeira opção migra para ela como segunda escolha.
Esse padrão não surgiu do nada. Pesquisas anteriores já mostravam indícios de que parte do eleitorado que votava em Ibaneis no primeiro turno migrava para Leila no segundo. Na época parecia contraintuitivo. Hoje fica evidente: Leila é percebida por um segmento significativo do eleitorado — inclusive fora do campo estritamente progressista — como uma figura de centro-esquerda com viés moderado e prático, e não como uma radical de qualquer das pontas.
O DF tem um centro maior e mais fluido do que as análises binárias costumam admitir. Estimativas baseadas em resultados históricos e padrões eleitorais regionais apontam que o bloco de centro (declarado + estimado) fica entre 22% e 28% do eleitorado, com fronteiras bastante porosas. O eleitor que se diz de centro ou até de centro-esquerda frequentemente carrega expectativas que, em outras disputas, seriam típicas do eleitor de direita — e vice-versa. Leila ocupa exatamente esse espaço de travessia.
Um dado ineressante que ajuda a corroborar essa leitura são os resultados da mesma pesquisa no quesito rejeição: Leiala apresenta a menor rejeição entre todos os candidatos com 28,8%, quase metade o “líder” Ibaneis que tem 54,6%.
De heroína do esporte a política consolidada
Leila do Vôlei já era figura conhecida há décadas. O que mudou foi a consolidação da imagem de política assertiva e presente. No Senado, ela teve momentos de destaque com posturas firmes em plenário, usou emendas de forma estratégica — especialmente
na saúde pública, com centenas de milhões destinados ao DF — e manteve atenção constante a pautas regionais e sociais.
Especialmente relevante é sua presença em regiões como as cidades satélites e, mais recentemente, em áreas como Planaltina, onde projetos sociais ajudaram a construir vínculos que não existiam automaticamente pela sua biografia de atleta. O eleitor mais carente, que tem menos acesso a serviços e vê menos o debate legislativo nacional, responde positivamente a quem entrega resultado concreto no dia a dia.
Essa combinação — imagem histórica de seriedade + trabalho visível em bases populares + posicionamento que não se resume a radicalismo de qualquer lado — explica por que ela atravessa o espectro de forma mais eficiente que outros nomes.
Por que ela cresce onde outros não crescem
Erika Kokay, por exemplo, que se encontra dentro do mesmo espetro geral que Leila, tem base sólida, história de luta e imagem positiva até em segmentos de direita. Mas Leila aparece melhor posicionada no momento. Parte do eleitorado de esquerda, ao perceber que seu voto pode ser mais eficaz em uma candidatura que já demonstra viabilidade, migra estrategicamente, uma postura que deve se potencializar ao longo do processo eleitoral, o que induz a esperarmos um maior crescimento ainda de Leila nos números em próximas pesquisas. Do outro lado, eleitores de centro-direita que rejeitam o radicalismo mais duro encontram em Leila uma opção que não os confronta frontalmente.
O fenômeno Leila não anula a força da direita no DF. Ele revela que esse bloco não é monolítico e que existe uma fatia relevante do eleitorado que, mesmo inclinada à direita em determinadas disputas, não compactua com o radicalismo extremo e busca figuras percebidas como equilibradas e eficazes.
O que vem pela frente
Leila já está consolidada em segundo lugar. Qualquer crescimento adicional dela nos próximos meses tenderá a vir tanto de eleitores de esquerda que buscam viabilidade quanto de eleitores de centro-direita que rejeitam o radicalismo mais duro. Se o tom da campanha nas pontas ficar ainda mais agressivo — como costuma acontecer —, parte do eleitorado de centro pode se retrair ainda mais para opções que considere moderadas e competentes.
A pesquisa Correio/Opinião não é um retrato definitivo. Mas é um termômetro claro do que o eleitorado do Distrito Federal está sinalizando agora: existe espaço — e demanda
— para candidaturas que consigam falar para além das bolhas. Leila do Vôlei, neste momento, é a expressão mais concreta desse espaço.




