Lula intensifica aliança com Rússia e China, gerando descompasso com EUA e Europa

Países descutem criação de uma moeda negocial, excluindo Dolar e o Euro

Por Rogério Cirino

A 15ª cúpula dos Brics encerrou-se em Joanesburgo, na África do Sul, e deixou claro o aprofundamento das relações entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, ampliando o bloco para incorporar a Argentina, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes, o Egito, a Etiópia e o Irã. No entanto, esse movimento não passou despercebido no contexto global, com uma clara desavença de interesses entre as nações emergentes e as tradicionais potências dos Estados Unidos e da Europa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou a cooperação entre os membros do Brics, ressaltando a importância de reformar o Conselho de Segurança das Nações Unidas para adequá-lo à realidade geopolítica atual. Ao se referir ao cenário internacional de 1945, quando a ONU foi criada, Lula destacou: “Entendemos que a geopolítica de hoje não tem nada a ver com a de 1945. É importante que a ONU tenha representatividade, sobretudo nesse momento que a gente discute a questão climática.”

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No entanto, a perspectiva do alinhamento entre Brasil, Rússia, China e outras nações gerou tensões quanto à abordagem política e ideológica adotada por esses países. O aumento de membros majoritariamente caracterizados por regimes autoritários trouxe inquietações sobre a priorização de pautas relacionadas a direitos humanos e questões climáticas nas decisões do grupo.

O analista político Julián Durazo-Herrmann enfatiza que, enquanto a expansão do Brics representa um incômodo à pretendida hegemonia dos EUA, ainda há incertezas quanto ao impacto real desse bloco nas relações internacionais. A entrada de novos países pode tanto fortalecer quanto enfraquecer a capacidade decisória do grupo, alerta o pesquisador.

No cenário econômico, destaca-se a busca por uma moeda comum entre os membros para negociações, como alternativa ao dólar. Contudo, o descompasso de interesses e a complexidade das relações entre os países ainda suscitam dúvidas sobre a eficácia dessas iniciativas em um contexto de concorrência internacional.

A atenção internacional ao resultado da cúpula se destaca, com especialistas observando que a ampliação do Brics e sua abordagem conjunta buscam remodelar o sistema financeiro e de governança global, com menor dependência das políticas norte-americanas. O The New York Times reporta que, apesar das aspirações, ainda é um longo caminho para que o Brics se torne uma organização efetiva.

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