Agora a pouco, após reunião de conciliação no STF, o Governo do Distrito Federal, o Banco Central, a Advocacia-Geral da União e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) fecharam um acordo (nem tanto, ainda há coisas a serem acertadas) que abriria caminho para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões ao BRB.
Celina Leão saiu da reunião comemorando como se tivesse conseguido uma grande vitória. Mas vamos entender friamente o que realmente aconteceu.
Primeiro: este empréstimo não paga o rombo do BRB.
O buraco bilionário causado pela compra de ativos podres do Banco Master continua lá. O que esse dinheiro faz é recompor o fluxo de caixa do banco — ou seja, colocar dinheiro na conta para que o BRB consiga honrar o mínimo, as contas do dia-a-dia.
Em bom português: é um respiro. Um remédio para não deixar o paciente morrer hoje. O problema grave continua existindo.
O mais grave, porém, está na garantia dessa operação.
A União não quis ser fiadora direta (já havia dito que não socorreria). Então, o que foi oferecido? Um sindicato de bancos privados deu “fiança”. E, como contragarantia (colateral), o GDF entregou cotas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Traduzindo para o cidadão comum: Se o BRB não conseguir pagar esse empréstimo, os bancos privados poderão reter diretamente recursos que entram todo mês no caixa único do Governo do Distrito Federal. Dinheiro que serve para pagar salários de professores e médicos, comprar remédio, manter escolas, hospitais, iluminação pública, asfalto…
Se a conta estourar, vira quase um consignado, só que feito em cima do caixa inteiro do DF.
É um “negócio da China”, para quem emprestar o dinheiro e para o fiador.
Outro dealhe: o GDF já está tão endificado, e com as contas no vermelho que seu “score” para pegar um emprétimo desse tamanho não “dava”. Ai entrou a forcinha (forçada) da União que aceitou liberar o limite – O GDF sópoderia pegar R$ 900mi, a União concordou em liberar R$6,6bi Ou seja: liberaram um empréstimo mais de seis vezes acima do que o DF teria condições reais de pegar normalmente.
Celina diz que o governo tem condições de pagar em dois anos. Parece bonito no discurso. Na prática, o risco é real e imediato. O banco continua sangrando, perdeu confiança do mercado e, se a operação não der certo, os R$ 6,6 bilhões podem virar mais um buraco — só que agora com garantia constitucional do contribuinte.
Vai dar certo? Oremos! Porque se não der o DF vai ficar sem ver novas escolas, hospitais, ruas, esgoto, etc. por uma década.
Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando o governo precisa dar como garantia o próprio dinheiro que deveria ir para saúde, educação e segurança só para manter um banco vivo, não estamos salvando instituição. Estamos hipotecando o futuro do Distrito Federal para pagar erro do passado.
E o pior: quem vai pagar a conta, no final, é sempre o mesmo: você.






